Abras associa alta nas vendas de alimentos à proibição das bets; Grande SP avança 5,5%

Economia São Paulo Últimas NOTÍCIAS

Varejo alimentar cresceu em duas semanas de outubro; avaliação da entidade não comprova, isoladamente, que a restrição às apostas causou o aumento

As vendas do varejo alimentar brasileiro cresceram 6,5% entre 5 e 11 de outubro e 6,3% entre 12 e 18 de outubro, na comparação com os mesmos períodos de 2025. Os dados são da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

A entidade relaciona o desempenho à proibição das apostas virtuais, anunciada em setembro. Na avaliação da associação, a redução dos gastos com jogos pode ter ampliado o orçamento disponível para alimentos.

Os números mostram crescimento nas semanas analisadas, mas não permitem concluir, por si só, quanto desse avanço foi provocado pela restrição às bets.

Grande São Paulo registra crescimento

Na Grande São Paulo, as vendas tiveram alta de 1,2% na primeira semana pesquisada e de 5,5% na segunda, sempre em relação aos períodos equivalentes do ano anterior.

No interior paulista, o crescimento foi de 5,6% nas duas semanas.

O levantamento regional não apresenta resultados específicos para bairros como Vila Guilherme, Vila Maria ou Vila Medeiros. Portanto, não é possível atribuir os mesmos percentuais ao comércio dessas localidades.

Veja os resultados por região

Região5 a 11 de outubro12 a 18 de outubro
Sul10,6%9%
Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio10,6%7,1%
Nordeste6,5%4,5%
Interior de São Paulo5,6%5,6%
Grande Rio de Janeiro4%6%
Centro-Oeste3,6%3,5%
Grande São Paulo1,2%5,5%
Brasil6,5%6,3%

Variações em relação aos mesmos períodos de 2025.

Alimentos essenciais estão entre os destaques

Segundo a Abras, o movimento foi percebido especialmente em produtos como arroz, óleo, macarrão e café.

A associação afirma que a expansão alcançou diferentes formatos do varejo alimentar. Sua interpretação é que parte dos recursos antes destinados às apostas passou a ser utilizada em despesas do cotidiano.

Essa avaliação, porém, exige uma distinção: crescimento nas vendas não significa necessariamente queda de preços nem comprova que todas as famílias passaram a comprar mais.

Queda no Pix exige cuidado na interpretação

Para sustentar sua análise, a Abras cita uma redução nas transações por Pix após a restrição às apostas.

Esse dado não deve ser apresentado como comprovação de que houve queda de 10% exclusivamente nos pagamentos destinados às bets. Uma redução no número total de transações não identifica, sozinha, quais gastos deixaram de ocorrer ou para onde o dinheiro foi direcionado.

Também é necessário considerar outros fatores que influenciam as compras, como renda, emprego, preços e calendário de pagamentos.

O que você precisa saber

  • Brasil: vendas cresceram 6,5% e 6,3% nas duas semanas pesquisadas.
  • Grande São Paulo: altas de 1,2% e 5,5%, na comparação anual.
  • Produtos citados: arroz, óleo, macarrão e café.
  • Interpretação: a Abras associa o crescimento à restrição às apostas.
  • Limitação: os dados apresentados não isolam o efeito da medida.
  • Bairros: não há recorte específico para Vila Guilherme e Vila Maria.

Perguntas frequentes

A proibição das bets foi comprovadamente responsável pela alta?
A Abras aponta essa relação, mas os números apresentados não demonstram, isoladamente, uma causa direta.

O crescimento de 6,5% ocorreu sobre a semana anterior?
Não. A comparação é com o mesmo período de 2025.

A Grande São Paulo também registrou aumento?
Sim. As altas foram de 1,2% e 5,5% nas duas semanas analisadas.

Os alimentos ficaram mais baratos?
O levantamento citado trata do desempenho das vendas. Ele não comprova uma redução geral dos preços.

É possível aplicar esses percentuais aos mercados da Vila Guilherme?
Não. O recorte da Grande São Paulo não permite identificar o resultado de cada bairro ou estabelecimento.

Deixe uma resposta