Partida decisiva acontece às 14h de segunda-feira e levanta dúvidas sobre direitos dos trabalhadores durante a Copa do Mundo
A partida entre Brasil e Japão, válida pelas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, promete parar o país na próxima segunda-feira (29). O confronto, marcado para as 14h (horário de Brasília), será o primeiro da Seleção Brasileira nesta edição do Mundial disputado em pleno horário comercial de um dia útil, levantando uma dúvida recorrente entre milhões de trabalhadores: a empresa é obrigada a liberar os funcionários para assistir ao jogo?
A resposta é não.
Especialistas em Direito do Trabalho esclarecem que a legislação brasileira não prevê folga obrigatória em dias de jogos da Seleção Brasileira, mesmo durante a Copa do Mundo. Assim, o expediente permanece normal, cabendo exclusivamente ao empregador decidir se haverá flexibilização da jornada.
Jogo da Seleção não é feriado
Embora seja tradição muitas empresas reduzirem o expediente durante os jogos da Seleção, a legislação trabalhista não estabelece nenhuma regra específica para a Copa do Mundo.
Isso significa que o trabalhador não possui direito automático à dispensa para acompanhar a partida.
A decisão sobre liberar os funcionários, alterar horários ou permitir que o jogo seja assistido dentro da empresa depende exclusivamente da política adotada por cada empregador.
Empresas podem flexibilizar a jornada
Na prática, muitas organizações optam por criar alternativas para manter o bom clima entre os colaboradores sem comprometer a produtividade.
Entre as medidas mais comuns estão:
- Liberação antecipada dos funcionários;
- Pausa durante a partida;
- Transmissão do jogo no ambiente de trabalho;
- Compensação das horas posteriormente;
- Trabalho remoto em alguns setores.
Quando a empresa concede a folga sem desconto salarial, ela é considerada remunerada.
Compensação de horas pode ser exigida
Segundo especialistas em Direito do Trabalho, a empresa pode exigir que o período liberado seja compensado posteriormente.
Entretanto, essa compensação deve ser acordada previamente entre empregador e empregado e respeitar os limites estabelecidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
A legislação determina que a compensação não ultrapasse duas horas extras por dia e pode ocorrer dentro do prazo legal previsto para acordos individuais ou coletivos.
Posso faltar para assistir ao jogo?
Não.
Caso o trabalhador deixe de comparecer ao serviço sem autorização da empresa, a ausência será considerada falta injustificada.
Nessas situações, poderão ocorrer:
- desconto das horas não trabalhadas;
- perda do descanso semanal remunerado;
- advertência disciplinar;
- suspensão em casos de reincidência.
Especialistas ressaltam que apenas faltar para assistir ao jogo não caracteriza motivo para demissão por justa causa, mas o comportamento pode gerar sanções disciplinares conforme as normas internas da empresa.
Quem trabalha em serviços essenciais terá regras mais rígidas
Profissionais que atuam em hospitais, transporte público, segurança, supermercados, comércio, restaurantes e demais serviços essenciais dificilmente terão alteração na jornada.
Como essas atividades não podem ser interrompidas, qualquer flexibilização dependerá das necessidades operacionais de cada empresa.
Nesses casos, recomenda-se que o trabalhador converse antecipadamente com seus superiores para verificar a possibilidade de acordos individuais.
Assistir ao jogo durante o expediente sem autorização pode gerar punição
Os especialistas alertam que acompanhar a partida pelo celular, computador ou televisão durante o expediente, sem autorização da empresa, pode ser considerado ato de indisciplina.
Caso a empresa determine que não haverá interrupção das atividades, o empregado deverá cumprir normalmente sua jornada de trabalho.
Brasil segue em busca do hexacampeonato
A partida contra o Japão marca o início da fase eliminatória para a Seleção Brasileira comandada por Carlo Ancelotti.
Caso avance às quartas de final, o Brasil seguirá vivo na luta pelo sexto título mundial. Se chegar à semifinal, voltará a jogar em dia útil, no dia 15 de julho, às 16h, exigindo novamente planejamento de empresas e trabalhadores.
Especialistas recomendam que empregadores e funcionários mantenham o diálogo para encontrar soluções que conciliem produtividade e o clima de torcida que tradicionalmente toma conta do país durante a Copa do Mundo.
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