Casal denuncia ataque homofóbico dentro de vagão da Linha 4-Amarela do Metrô de São Paulo

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Agressão verbal aconteceu na manhã de sábado (6), véspera da Parada do Orgulho LGBT+. Vítima relata abalo emocional e registrou boletim de ocorrência após o episódio.

Um caso de homofobia registrado dentro de um vagão da Linha 4-Amarela do metrô de São Paulo ganhou repercussão nas redes sociais e reacendeu o debate sobre preconceito e intolerância no transporte público. O episódio aconteceu na manhã de sábado (6), véspera da 30ª Parada do Orgulho LGBT+, e foi gravado por uma das vítimas.

Segundo relato do casal, a agressão verbal começou após um dos homens se sentar por alguns instantes sobre o joelho do marido enquanto ambos retornavam para casa depois de participarem de um festival de música eletrônica realizado no Autódromo de Interlagos.

De acordo com a vítima, identificada na reportagem apenas como Henrique para preservar sua identidade, o casal havia saído do trabalho diretamente para o evento e, durante a madrugada, caminhou mais de seis quilômetros até chegar ao transporte público.

Já dentro da Linha 4-Amarela, por volta das 5 horas da manhã, Henrique conseguiu um assento e seu marido sentou-se por alguns instantes na ponta de seu joelho para descansar.

Foi nesse momento que um passageiro, sentado ao lado do casal, passou a demonstrar incômodo com a situação.

Inicialmente, o homem teria questionado Henrique sobre o que estava acontecendo. Após receber uma explicação, levantou-se e começou a gritar frases ofensivas e comentários de cunho homofóbico direcionados aos dois.

As imagens registradas mostram o agressor exaltado, fazendo comentários discriminatórios e tentando chamar a atenção dos demais passageiros.

Segundo a vítima, o mais doloroso foi perceber que ninguém interveio para impedir as agressões.

Henrique relatou que algumas pessoas apenas observaram a situação em silêncio e que outras chegaram a rir durante os ataques verbais.

“Eu achei que não ficaria tão impactado, mas fiquei. Tenho tido pesadelos desde então. Toda vez que vejo o vídeo começo a tremer”, relatou.

O casal afirma que em nenhum momento houve demonstrações de afeto, beijos ou qualquer comportamento que pudesse justificar a reação do agressor.

“A gente não se beijou. Não fez carinho. Nada. Ele apenas sentou na ponta do meu joelho por alguns instantes porque estávamos extremamente cansados”, explicou.

Temendo uma agressão física, Henrique decidiu não reagir e também pediu que o marido permanecesse em silêncio.

Quando o trem chegou à estação Oscar Freire, os dois optaram por trocar de vagão para evitar que a situação se agravasse.

O agressor permaneceu na composição e desembarcou posteriormente na estação Paulista.

Nesta segunda-feira (8), a vítima registrou um boletim de ocorrência por meio da Delegacia Eletrônica. O caso deverá ser analisado pelas autoridades competentes.

A legislação brasileira considera a homofobia e a transfobia crimes equiparados ao racismo, conforme entendimento consolidado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Dependendo das circunstâncias, os responsáveis podem responder criminalmente pelos atos praticados.

Procurada pela imprensa, a Motiva, concessionária responsável pela operação da Linha 4-Amarela, informou por meio de nota que repudia qualquer forma de discriminação e lamenta profundamente o ocorrido.

A empresa destacou ainda que não foi acionada durante a ocorrência, mas reforçou que suas equipes recebem treinamento contínuo para acolher vítimas de discriminação e orientar sobre os procedimentos adequados.

A concessionária também orienta que passageiros que presenciarem situações semelhantes procurem imediatamente agentes de atendimento ou segurança presentes nas estações para que medidas sejam tomadas rapidamente.

O episódio aconteceu justamente na semana em que São Paulo recebeu a 30ª edição da Parada do Orgulho LGBT+, evento que reúne milhões de pessoas e reforça a luta contra a discriminação, a violência e o preconceito.

Para especialistas em direitos humanos, casos como este demonstram a importância de ampliar ações educativas, promover o respeito às diferenças e garantir que todos possam utilizar espaços públicos com segurança e dignidade.

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