Julgamento sobre pai de Daniel Vorcaro revelou divergências dentro da Segunda Turma do Supremo
A decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi interpretada nos bastidores como um sinal de que as investigações do Caso Master estão entrando em uma fase ainda mais sensível.
Mais do que decidir sobre a manutenção da prisão, a sessão evidenciou divergências entre os ministros e expôs o clima de tensão em torno de um dos casos financeiros mais relevantes atualmente em investigação no país.
Recados do relator
O ministro André Mendonça, relator do caso, deixou claro em seu voto que as investigações estão longe de terminar. Segundo interlocutores do STF, a manifestação também demonstrou preocupação com possíveis tentativas de enfraquecer ou interromper o andamento das apurações.
A avaliação é de que novos desdobramentos deverão chegar ao Supremo nos próximos meses.
Nunes Marques teve papel decisivo
Um dos votos mais aguardados era o do ministro Kassio Nunes Marques. Havia grande expectativa sobre seu posicionamento, mas ele acompanhou André Mendonça e votou pela manutenção da prisão de Henrique Vorcaro.
Nos bastidores, integrantes da Corte afirmam que a gravidade dos fatos investigados e as informações reunidas pela investigação foram determinantes para a decisão.
Gilmar Mendes abriu divergência
O ministro Gilmar Mendes votou de forma diferente e questionou a necessidade da prisão, argumentando que outros envolvidos ligados à gestão direta do banco já haviam sido libertados.
Ele também levantou a hipótese de que a prisão poderia servir como forma de pressionar Daniel Vorcaro a firmar um acordo de delação premiada, comparando a situação a práticas adotadas durante a Operação Lava Jato.
Em resposta, André Mendonça afirmou que Henrique Vorcaro não foi preso por seu vínculo familiar, mas por indícios de continuidade na prática de crimes apontados pelas investigações.
Disputa está longe do fim
A leitura predominante nos bastidores do STF é que existe uma verdadeira “guerra fria” em torno do Caso Master. As posições dos ministros estão cada vez mais definidas e a expectativa é de que novos capítulos aumentem ainda mais a tensão dentro da Corte.
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