Levi dos Santos Oliveira foi preso nesta quinta-feira (17). Operação Vectura Corrupta apura suspeitas de atuação da facção em empresas de ônibus, lavagem de dinheiro, fraudes e financiamento de campanhas.
O ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira foi preso nesta quinta-feira (17) durante a Operação Vectura Corrupta, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP).
A investigação apura a possível infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo da cidade de São Paulo. Segundo o MP-SP, representantes ou pessoas ligadas à facção teriam participação no controle de 12 das 22 empresas de ônibus da capital.
A operação também mira suspeitas de lavagem de dinheiro, interferência em contratos do transporte público e financiamento de campanhas eleitorais.
Levi de Oliveira foi preso
Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário municipal de Mobilidade e Trânsito, está entre os principais alvos da operação.
Segundo a investigação, ele é suspeito de ter se encontrado, quando estava no comando da SPTrans, com um intermediário apontado como ligado ao PCC para discutir interesses relacionados às empresas de transporte.
As suspeitas ainda estão sob investigação e não representam condenação.
Levi construiu uma longa carreira no setor de transportes. Ele ingressou na antiga CMTC em 1991 e chegou à diretoria de Planejamento de Transporte da SPTrans em 2017. Em 2020, foi indicado pelo então prefeito Bruno Covas para presidir a empresa. Posteriormente, também ocupou a Secretaria Municipal de Mobilidade e Trânsito.
Milton Leite também é alvo da operação
Outro nome de destaque na investigação é o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite, do União Brasil.
Ele é alvo de mandado de prisão temporária. Policiais foram até seu endereço nesta quinta-feira, mas não o localizaram nas primeiras horas da operação.
Leite afirmou que estava no interior de São Paulo por compromissos pessoais e de campanha e que pretende se apresentar às autoridades. Ele nega as acusações.
O ex-vereador exerceu sete mandatos na Câmara Municipal e ocupou a presidência da Casa em diferentes períodos.
Investigação aponta possível controle de empresas de ônibus
Um dos pontos mais graves da investigação está justamente no transporte público.
De acordo com o MP-SP, o esquema teria representantes ou “laranjas” ligados à organização criminosa atuando no controle de 12 das 22 empresas do sistema paulistano. Os investigadores apuram se essas estruturas foram usadas para movimentar recursos de origem criminosa.
A investigação também analisa a compra e venda de ônibus e outras operações financeiras que, segundo o Ministério Público, poderiam ter servido para movimentar dinheiro ilícito.
Parte das empresas investigadas já apareceu em outras operações relacionadas ao setor.
Transwolff já havia sido investigada
A Transwolff, por exemplo, foi alvo da Operação Fim da Linha, deflagrada em 2024.
A Prefeitura de São Paulo interveio na companhia naquele ano e posteriormente encerrou seu contrato. Nesta quinta-feira, a administração municipal informou que está analisando os novos elementos apresentados pela Operação Vectura Corrupta.
A Prefeitura também avalia uma possível intervenção na A2 Transportes, outra empresa citada nas investigações.
Investigação mira atuação de advogados
Outra frente da operação apura a atuação de advogados que, segundo os investigadores, fariam parte de um núcleo conhecido como “Sintonia dos Gravatas”.
A Polícia Civil investiga se escritórios e contas bancárias foram usados para reuniões, articulações e movimentações financeiras relacionadas aos interesses da organização criminosa.
Os investigadores analisaram diálogos obtidos de dispositivos eletrônicos apreendidos, documentos e informações financeiras para avançar nas apurações.
Operação é desdobramento de investigação iniciada em 2024
A Vectura Corrupta é um desdobramento de uma investigação iniciada em 2024, que revelou redes de comunicação atribuídas ao PCC e suspeitas de atuação da facção em diferentes setores.
Nesta nova fase, o foco avançou sobre o transporte coletivo e possíveis conexões entre integrantes da organização criminosa, empresários, agentes públicos e políticos.
As investigações continuam. As responsabilidades individuais ainda deverão ser apuradas e analisadas pela Justiça.
O que você precisa saber
- Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, foi preso nesta quinta-feira (17).
- A Operação Vectura Corrupta investiga a possível infiltração do PCC no transporte coletivo de São Paulo.
- Segundo o MP-SP, pessoas ligadas à facção teriam participação no controle de 12 das 22 empresas de ônibus da capital.
- Milton Leite também é alvo de mandado de prisão e não havia sido localizado nas primeiras horas da operação.
- Leite nega as acusações e afirmou que pretende se apresentar.
- A investigação apura lavagem de dinheiro, contratos do transporte e financiamento de campanhas.
- As suspeitas ainda estão em investigação e não representam condenação dos envolvidos.
Perguntas mais frequentes
Quem é Levi dos Santos Oliveira?
Levi é ex-presidente da SPTrans e ex-secretário municipal de Mobilidade e Trânsito de São Paulo.
Por que ele foi preso?
A prisão ocorreu no âmbito da Operação Vectura Corrupta. Segundo a investigação, Levi teria mantido encontros com um intermediário apontado como ligado ao PCC para tratar de interesses relacionados ao setor de transporte.
O que a Operação Vectura Corrupta investiga?
A operação apura a possível infiltração do PCC em empresas de transporte coletivo, além de suspeitas relacionadas à movimentação de dinheiro e financiamento político.
Milton Leite foi preso?
Até as atualizações consultadas na manhã desta quinta-feira (17), ele não havia sido localizado. O ex-vereador afirmou que pretende se apresentar e nega as acusações.
Os investigados já foram considerados culpados?
Não. A operação está em andamento e as suspeitas precisam ser apuradas, com direito de defesa e análise judicial.
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