Nascida em Juiz de Fora (MG) em meados de 2006, a banda Onze:20 emergiu daquela inquietação clássica que molda bandas de garagem mundo afora: amigos reunidos, influências diversas e uma necessidade urgente de expressão. Diferente de muitos, eles encontraram cedo uma identidade sólida — uma mistura orgânica de reggae, pop e rock, com melodias acessíveis e letras emocionalmente diretas.
O nome curioso surgiu de um momento banal: 11:20 no relógio — o instante em que decidiram como seriam conhecidos. Um detalhe simples que antecipa o espírito do grupo: espontâneo, leve e verdadeiro. Com hits como “Meu Lugar”, “Pra Você” e “Não Vai Voltar”, a banda consolidou um repertório confessional que se tornou trilha sonora de milhares de vidas.
Após um período de silêncio e autorreflexão, a banda retorna com o projeto “Luau do Onze:20”, apresentando-se de forma íntima e vulnerável. A Gazeta da Vila Guilherme convidou os músicos para um bate-papo exclusivo conduzido por Allex Nascimento. Confira:
Allex Nascimento: Existe um ponto na trajetória em que o artista já não pertence mais apenas a si mesmo — é quando as músicas ganham significados que vocês nunca imaginaram. Isso aconteceu com a Onze:20. O que mudou na vida de vocês e como tem sido lidar com essa responsabilidade?
Onze:20: Desde o começo, sempre imaginamos nossas músicas fazendo parte da vida das pessoas; era algo que realmente queríamos que acontecesse. É uma das coisas que mais nos realiza, pois recebemos histórias lindas: pedidos de casamento, pais que lembram das filhas, relatos de cura de depressão… Sentimo-nos muito honrados e, ao mesmo tempo, com uma grande responsabilidade, pois sabemos que o que escrevemos impacta diretamente a vida de muita gente. O que queremos é continuar presentes no cotidiano de ainda mais pessoas.
Allex Nascimento: O sucesso de faixas como “Meu Lugar” e “Pra Você” trouxe uma identificação em massa. Como vocês equilibram essa conexão popular com a necessidade artística de evoluir sem perder a essência original?
Onze:20: Esse é um grande desafio! Por muito tempo, permitimos que pressões externas de gravadoras ou empresários nos influenciassem. Essa obrigação de lançar uma música para ter o mesmo resultado que a “música X” ou “Y” é muito frustrante. Música é arte, é sentimento. De uns tempos para cá, passamos a fazer o que gostamos e o que acreditamos — foi exatamente isso que deu certo lá atrás. Hoje, não somos as mesmas pessoas de 15 anos atrás, e essa evolução reflete naturalmente nas composições, nos shows e no nosso dia a dia.
Allex Nascimento: O projeto “Luau do Onze:20” revela uma banda mais íntima. Esse movimento representa um retorno às origens ou um novo caminho definitivo para o futuro do grupo?
Onze:20: Voltando um pouco ao início, quando nos mudamos para São Paulo, um dos primeiros lugares em que tocamos foi um hostel na Vila Madalena, e o formato era acústico. Sempre percebemos que nossas músicas funcionavam muito bem nesse estilo intimista, com o público por perto. Era apenas questão de tempo para lançarmos algo oficial assim. Graças a Deus, o público tem aceitado muito bem o “Luau” e já estamos preparando mais novidades nesse formato.
Allex Nascimento: Após anos intensos na estrada e uma pausa estratégica, o que mudou em vocês como músicos e indivíduos? Voltar aos palcos agora, com toda essa bagagem, é mais fácil ou a emoção ainda é a mesma do início da carreira?
Onze:20: Na verdade, todo mundo teve uma pausa forçada com a pandemia, né? Acho que ali o mundo e as pessoas começaram a mudar. Depois, tivemos nossa própria pausa para nos reorganizarmos e pensarmos no futuro da banda, o que foi essencial para os resultados que estamos colhendo agora. Hoje, a cada entrevista, show ou lançamento, sentimos aquela sensação gostosa de estar vivendo tudo de novo. Valorizamos ainda mais cada processo e estamos muito empolgados com os planos futuros.
Allex Nascimento: A Onze:20 ajudou a colocar o reggae/pop novamente no centro da cena brasileira. Vocês sentem a responsabilidade de abrir caminhos para novas bandas ou enxergam isso como uma consequência natural do trabalho?
Onze:20: A gente brinca que o reggae nunca sai de moda (risos). É uma honra saber que outros artistas têm o Onze:20 como referência, assim como nós temos os nossos ídolos. A renovação e a chegada de novas bandas são fundamentais para o cenário musical brasileiro, e esperamos continuar contribuindo para que esse movimento cresça.
Allex Nascimento: Olhando para a frente: qual é o próximo capítulo da Onze:20? Existe um som, uma mensagem ou um legado que vocês ainda sentem necessidade de deixar para o público?
Onze:20: Estamos com muitos planos! Queremos lançar materiais inéditos e também reviver alguns projetos do passado; estamos estudando a melhor forma de executar isso. O público pode esperar muita dedicação e música de qualidade. Vamos manter nossa essência, que é falar de amor e transmitir mensagens positivas. No meio de tantas notícias ruins no mundo, esperamos que nossas canções continuem sendo a “parte boa” do dia das pessoas.
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