Polícia investiga nove mortes ligadas a atendimentos ilegais no Hospital de Clínicas Jardim Helena
A Polícia Civil de São Paulo investiga um dos casos mais graves envolvendo falsos profissionais da saúde no estado. Uma fisioterapeuta diagnosticada com dengue morreu após ser atendida por dois homens suspeitos de atuar ilegalmente como médicos no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na Zona Leste da capital paulista.
Segundo as investigações da Operação Hipócrates II, os suspeitos teriam realizado cerca de 2 mil atendimentos ilegais ao longo de dois anos. A polícia associa o grupo a pelo menos nove mortes suspeitas dentro da unidade hospitalar.
SUSPEITOS NÃO SABIAM REALIZAR MANOBRAS BÁSICAS
De acordo com a Polícia Civil, a paciente com dengue sofreu uma parada cardíaca durante o atendimento. Os investigadores afirmam que os falsos médicos não souberam executar procedimentos básicos de reanimação.
“Ela teve uma parada cardíaca e eles não sabiam como ressuscitar. É uma manobra muito simples para uma pessoa com conhecimento técnico”, afirmou o delegado José Mariano Filho, responsável pela investigação.
UM DOS INVESTIGADOS USAVA DOCUMENTOS DE MÉDICO VERDADEIRO
Segundo a investigação, Marcos Phelipe de Barros utilizava documentos verdadeiros de um médico chamado Nicolas Joseph Della Matta para atuar ilegalmente no hospital.
O segundo investigado é Maike César Silva, que fugiu para o Chile e atualmente é considerado foragido da Justiça brasileira.
A polícia informou ainda que o pai de Marcos Phelipe também exerceria medicina ilegalmente e teria ligação com o crime organizado.
OUTRA PACIENTE MORREU APÓS ESPERAR OITO HORAS POR EXAME
Outro caso investigado envolve uma paciente cardíaca que morreu após aguardar oito horas para realização de um exame essencial que detectaria um aneurisma na aorta.
Segundo laudo do Instituto Médico Legal (IML), o atraso no procedimento foi determinante para a morte da paciente.
DIREÇÃO DO HOSPITAL TAMBÉM É INVESTIGADA
A investigação também apura possível omissão da diretoria do Hospital de Clínicas Jardim Helena.
De acordo com a Polícia Civil, os falsos médicos recebiam salários inferiores aos demais profissionais da unidade, o que levantou suspeitas sobre a contratação.
A Justiça determinou o afastamento imediato da gestora do hospital e do diretor clínico da unidade.
ATENDIMENTOS ERAM FEITOS ATÉ POR TELEMEDICINA
Segundo os investigadores, Marcos Phelipe também realizava atendimentos por telemedicina diretamente de casa. Equipamentos usados nos atendimentos foram apreendidos durante a operação policial.
A polícia informou ainda que Maike César Silva atuava em atendimentos emergenciais do Samu de Taboão da Serra, na Grande São Paulo.
DEFESA NEGA EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA
A defesa de Marcos Phelipe afirmou que ele é biomédico e negou que ele exercesse medicina ilegalmente.
Já os advogados de Maike César Silva alegam que ele é instrumentador cirúrgico e que ambos atuavam apenas em funções permitidas dentro do ambiente hospitalar. A defesa classificou a operação como “midiática e injusta”.
CREMESP AFIRMA QUE EXERCÍCIO ILEGAL DA MEDICINA É CASO DE POLÍCIA
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) informou que o exercício ilegal da medicina é crime e deve ser investigado pelas autoridades policiais.
O órgão destacou ainda que pacientes e hospitais podem consultar o registro de médicos através do Guia Médico disponível no site oficial do conselho.

Jornal da Região:
Vila Guilherme | Vila Maria | Parada Inglesa | Jardim São Paulo e Tucuruvi.
