PREFEITURA AVANÇA EM PROJETO DE PISCINÃO NO LAUZANE E ZONA NORTE VOLTA AO CENTRO DO DEBATE SOBRE ENCHENTES

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Obra promete reduzir alagamentos históricos, mas moradores ainda demonstram preocupação com desapropriações, impactos urbanos e prazo de execução

A Prefeitura de São Paulo avançou nas etapas do projeto de implantação de um novo piscinão na região do córrego Lauzane, na Zona Norte da capital paulista. A proposta faz parte do plano de metas do município para o período de 2025 a 2028 e tem como principal objetivo reduzir os recorrentes alagamentos que afetam bairros importantes da região há décadas.

O projeto está sob responsabilidade da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras (SIURB) e já conta com Estudo de Viabilidade Ambiental (EVA), documento considerado fundamental para o avanço do licenciamento ambiental da obra.

A futura estrutura deverá ser construída em uma área localizada entre a Avenida Direitos Humanos e as ruas Amaro Alves Tenório e Rodrigues Alvarenga, no bairro do Imirim, dentro da área de abrangência da Subprefeitura Santana/Tucuruvi/Mandaqui.

Região sofre há décadas com enchentes e impactos urbanos

A região da bacia hidrográfica do córrego Mandaqui, onde está inserido o córrego Lauzane, enfrenta problemas históricos relacionados à drenagem urbana.

Antes da urbanização acelerada da cidade, a área era composta por vegetação abundante, vales naturais e regiões alagáveis que absorviam naturalmente o volume das chuvas.

Com o crescimento urbano intensificado a partir da década de 1950, o cenário mudou drasticamente. O avanço da pavimentação, loteamentos e ocupações reduziu significativamente a capacidade do solo de absorver água.

O córrego foi canalizado em vários trechos e perdeu parte de sua função natural de amortecimento das cheias, agravando os alagamentos que atingem moradores, comerciantes e motoristas todos os anos.

Vias importantes da Zona Norte estão entre as mais afetadas

Segundo o estudo técnico, os pontos mais críticos de alagamento estão justamente nas regiões mais baixas da sub-bacia do córrego Lauzane.

Entre as vias diretamente impactadas estão:

Avenida Direitos Humanos
Avenida Engenheiro Caetano Álvares
Avenida Imirim
Avenida Conselheiro Moreira de Barros

Além dos transtornos para moradores, os alagamentos comprometem a mobilidade urbana em grande parte da Zona Norte, gerando congestionamentos, prejuízos econômicos e interrupções no trânsito durante períodos de chuva intensa.

Como funcionará o novo piscinão

A principal solução proposta pela Prefeitura é a construção de um reservatório de contenção de cheias, popularmente conhecido como piscinão.

O modelo será do tipo “off-line”, ou seja, conectado ao córrego, mas não diretamente instalado no leito principal.

Durante chuvas fortes, o reservatório armazenará parte do excesso de água que normalmente sobrecarregaria o córrego Lauzane. Depois, esse volume será liberado gradualmente para reduzir os riscos de enchentes.

O projeto prevê:

Área aproximada de 4 mil m²
Capacidade de armazenamento de cerca de 100 mil m³
Profundidade estimada de 32 metros
Formato estrutural em trapézio

Projeto prevê espaço público sobre o reservatório

Uma das novidades do projeto é a proposta de utilização da área superior do piscinão como espaço público.

Segundo o Estudo de Viabilidade Ambiental, o reservatório deverá receber uma cobertura em laje que poderá ser utilizada para atividades públicas, seguindo modelo semelhante ao piscinão Savic, localizado no Jardim Brasil.

A proposta substitui a antiga ideia apresentada no Caderno de Bacia Hidrográfica (CBH) Mandaqui, que previa um parque linear na área.

O estudo também menciona soluções complementares como jardins de chuva e áreas de infiltração, que ajudam a reduzir o volume de água direcionado ao sistema de drenagem urbana.

Desapropriações e custo elevado preocupam moradores

Apesar da expectativa positiva em relação à redução das enchentes, o projeto enfrenta desafios importantes.

Um dos principais pontos de atenção envolve a desapropriação da área onde o reservatório será implantado. O terreno é privado e anteriormente era utilizado pela empresa de ônibus Sambaíba como área de apoio operacional.

A Prefeitura já declarou a área como de utilidade pública por meio de decreto publicado em dezembro de 2023, mas especialistas alertam que processos desse tipo podem enfrentar disputas judiciais e atrasos.

Outro fator considerado crítico é o alto custo da obra. O próprio estudo classifica o reservatório como estrutura de média a alta capacidade, indicando necessidade de investimento elevado.

Moradores demonstram expectativa e cautela

Parte da população acompanha o avanço do projeto com esperança, principalmente moradores que convivem há anos com enchentes e transtornos causados pelas chuvas.

Por outro lado, existe cautela em relação ao impacto das obras e ao prazo de execução. Muitos moradores ainda lembram dos transtornos provocados pelas obras do corredor de ônibus da Avenida Imirim, que afetaram o trânsito e a rotina local por longos períodos.

O estudo também reconhece possíveis impactos ambientais e sociais durante a execução, incluindo aumento de tráfego de caminhões, ruídos, interferência em infraestrutura e necessidade de mitigação ambiental.

Zona Norte cobra soluções definitivas para enchentes

Especialistas afirmam que o projeto do piscinão representa uma tentativa importante de corrigir problemas estruturais acumulados ao longo de décadas de crescimento urbano sem planejamento adequado de drenagem.

Embora o reservatório não resolva sozinho toda a questão das enchentes na região, a expectativa é de que ele reduza significativamente os impactos das chuvas mais intensas.

Agora, moradores e comerciantes aguardam as próximas etapas para saber quando o projeto finalmente deixará o papel e se transformará em obra concreta.


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