Fórum Itinerante dos Cuidadores de Pessoas Idosas começa em 19 de agosto e percorrerá diferentes regiões da capital para construir propostas a partir das experiências de quem vive diariamente a rotina do cuidado
O envelhecimento acelerado da população brasileira traz uma questão cada vez mais urgente: quem cuida de quem cuida?
É a partir dessa pergunta que São Paulo recebe, entre agosto e novembro, o 1º Fórum Itinerante dos Cuidadores de Pessoas Idosas: Desafios, Ação e Transformação. A iniciativa é promovida pela Comissão de Assistência Social da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e de Assistência Social (Bunkyo), em parceria com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo, por meio de emenda parlamentar.
A proposta é levar a discussão para diferentes regiões da capital e, principalmente, dar voz aos próprios cuidadores, sejam eles familiares ou profissionais.
O primeiro encontro será realizado no dia 19 de agosto, das 9h às 16h30, no Espaço Cultural do Bunkyo, na Liberdade.
Um debate que coloca o cuidador no centro
O fórum parte de uma realidade que muitas vezes permanece invisível: cuidar de uma pessoa idosa pode envolver desgaste físico e emocional, responsabilidades familiares, questões financeiras, necessidade de capacitação e desafios relacionados às condições de trabalho.
Apesar da importância dessa atividade para milhões de famílias, os cuidadores ainda enfrentam dificuldades relacionadas à formação, reconhecimento profissional, apoio psicológico, regulamentação e valorização da atividade.
Por isso, o projeto pretende construir uma discussão que não seja apenas sobre os cuidadores, mas com os cuidadores.
A presidente da Comissão de Assistência Social do Bunkyo, Zilah Daijo, destaca que o principal diferencial da iniciativa está justamente na escuta.
Segundo ela, cada território apresenta uma realidade diferente e as experiências de quem vivencia o cuidado diariamente podem contribuir para identificar problemas e apontar caminhos para políticas públicas.
Fórum será itinerante
Depois do encontro de abertura na Liberdade, o fórum seguirá para outras regiões da cidade.
A programação prevê atividades na Biblioteca Álvares de Azevedo, na Vila Maria, e no Centro Dia para Idosos (CDI Camp Pinheiros), em Pinheiros, nos dias 9 e 23 de setembro, respectivamente.
Também estão previstos encontros nas zonas Leste e Sul durante o mês de outubro, em locais que ainda serão definidos.
O encerramento está programado para 18 de novembro, novamente no Espaço Cultural do Bunkyo. Na ocasião, deverão ser apresentados os principais resultados coletados ao longo da jornada.
A coordenação técnica do projeto está a cargo da gerontóloga e sanitarista Ana Cláudia Bonilha Gregnani.
Quatro grandes eixos vão orientar as discussões
Os encontros serão organizados em torno de quatro eixos principais:
1. O cuidador e a família
A relação entre quem presta o cuidado e os familiares da pessoa idosa, incluindo responsabilidades, conflitos e desafios cotidianos.
2. O cuidador e a pessoa idosa
A relação estabelecida durante o cuidado, considerando autonomia, respeito, necessidades e qualidade de vida.
3. O cuidador profissional: aspectos jurídicos e cuidar de quem cuida
A discussão sobre direitos, condições de trabalho, reconhecimento profissional e proteção de quem exerce a atividade.
4. Autocuidado
A importância de preservar a saúde física e emocional de quem dedica parte significativa de sua rotina ao cuidado de outra pessoa.
Quem poderá participar?
A proposta é reunir diferentes pessoas que tenham relação direta ou indireta com o universo do cuidado.
Entre os públicos estão:
- cuidadores profissionais;
- familiares que cuidam de pais, mães ou outros parentes idosos;
- gestores de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs);
- profissionais e gestores de Centros-Dia para Idosos;
- pessoas interessadas em ingressar na profissão;
- especialistas e demais pessoas envolvidas com o envelhecimento.
A expectativa da organização é reunir aproximadamente 100 participantes em cada edição.
Cada encontro terá cinco mesas de discussão, conduzidas por facilitadores com experiência na temática.
Por que discutir o cuidado em São Paulo?
Segundo os dados apresentados pela organização, a cidade de São Paulo possui mais de 2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, correspondendo a aproximadamente 17,7% da população da capital.
O cenário tende a ganhar ainda mais relevância nas próximas décadas, diante do crescimento da população idosa no Brasil.
Com mais pessoas vivendo por mais tempo, aumenta também a necessidade de profissionais preparados, famílias apoiadas e políticas públicas capazes de responder às diferentes necessidades relacionadas ao envelhecimento.
É nesse contexto que o fórum pretende contribuir para um debate mais amplo sobre o futuro do cuidado.
A realidade muda de acordo com o território
Um dos pontos centrais do projeto é justamente levar o debate para diferentes regiões da cidade.
A Zona Norte, por exemplo, possui características sociais e demográficas diferentes de regiões como Pinheiros, Zona Sul ou Zona Leste.
A organização entende que essas diferenças podem influenciar diretamente a maneira como as famílias e os profissionais enfrentam os desafios do cuidado.
Por isso, em vez de apresentar soluções prontas, o fórum pretende ouvir os participantes e identificar problemas e possibilidades de acordo com a realidade de cada território.
Ana Cláudia Bonilha Gregnani explica que a iniciativa busca inverter uma lógica tradicional: em vez de discutir o cuidado somente a partir da perspectiva das instituições, colocar a experiência de quem cuida como elemento central para a construção de propostas.
Resultados poderão subsidiar políticas públicas
As informações coletadas durante os encontros deverão ser organizadas em um documento final.
A expectativa é que esse material possa contribuir futuramente para discussões relacionadas à formação profissional, apoio psicológico, valorização dos cuidadores e melhoria das condições de trabalho.
O projeto também dialoga com as diretrizes da Política Nacional de Cuidados, que reconhece o cuidado como um direito social e uma responsabilidade compartilhada entre Estado, famílias e sociedade.
Dessa forma, o fórum pretende transformar relatos e experiências individuais em uma discussão coletiva sobre como São Paulo pode se preparar para uma população cada vez mais envelhecida.
Um espaço para quem cuida
Mais do que discutir o envelhecimento, o fórum coloca em evidência uma figura fundamental para que o cuidado aconteça: o cuidador.
São pessoas que, muitas vezes, assumem responsabilidades complexas sem receber orientação adequada ou sem encontrar espaços para falar sobre suas próprias dificuldades.
Ao percorrer diferentes regiões da capital, a iniciativa pretende aproximar o debate da realidade cotidiana e construir propostas a partir de quem conhece o cuidado na prática.
A pergunta que dá origem ao projeto permanece como uma provocação necessária: quem cuida de quem cuida?
SERVIÇO
1º Fórum Itinerante dos Cuidadores de Pessoas Idosas: Desafios, Ação e Transformação
Data: 19 de agosto de 2026
Horário: das 9h às 16h30
Local: Espaço Cultural do Bunkyo
Endereço: Rua São Joaquim, 381 – Liberdade – São Paulo
Entrada: gratuita
Vagas: limitadas
Inscrições: Formulário de inscrição do Bunkyo
Informações: (11) 93250-1202
E-mail: [email protected]
O que você precisa saber
- São Paulo receberá o 1º Fórum Itinerante dos Cuidadores de Pessoas Idosas.
- O primeiro encontro será em 19 de agosto, na Liberdade.
- A entrada é gratuita, mas as vagas são limitadas.
- O fórum percorrerá diferentes regiões da capital entre agosto e novembro.
- A proposta é ouvir cuidadores familiares e profissionais.
- Os debates abordarão família, pessoa idosa, aspectos jurídicos, trabalho e autocuidado.
- A iniciativa também discutirá formação, valorização profissional e apoio psicológico.
- A Vila Maria receberá uma das etapas do fórum, na Biblioteca Álvares de Azevedo.
- Os resultados dos encontros deverão ser reunidos em um documento final.
- A coordenação técnica é da gerontóloga e sanitarista Ana Cláudia Bonilha Gregnani.
Perguntas mais frequentes
Quem pode participar do fórum?
Cuidadores profissionais, familiares de pessoas idosas, gestores de ILPIs e Centros-Dia, interessados na profissão e pessoas envolvidas com as questões do envelhecimento.
A participação é gratuita?
Sim. Porém, as vagas são limitadas e é necessário realizar inscrição.
O fórum será realizado somente na Liberdade?
Não. A iniciativa é itinerante e passará por diferentes regiões da capital.
A Vila Maria receberá uma edição?
Sim. Está previsto um encontro na Biblioteca Álvares de Azevedo, na Vila Maria, em 9 de setembro.
Quais assuntos serão discutidos?
Entre os temas estão a relação entre cuidador e família, cuidador e pessoa idosa, aspectos jurídicos e profissionais, condições de trabalho e autocuidado.
Por que ouvir os cuidadores?
Porque a proposta do fórum é construir propostas a partir das experiências de quem vivencia diretamente a rotina do cuidado.

