12 de Setembro de 1912: Surge o Bairro da Vila Guilherme

Edgard Martins Eventos na Vila Guilherme e Região Por Nossos Colunistas

Algumas linhas sobre a história da Zona Norte Paulistana

Por José de Almeida Amaral Júnior – material cedido por Edgard Martins – Vô ED

O Rio Tietê: a fronteira natural que moldou a Zona Norte

O Rio Tietê, inteiramente paulista, nasce em uma altitude de 1.027 metros na Serra do Mar, região de Salesópolis, percorrendo então, de sudeste a noroeste, até sua foz no Rio Paraná, 1.136 quilômetros. Trajeto cheio de corredeiras, cachoeiras, afluentes e sinuosidades.

Então, em um determinado momento deste roteiro, sua grandiosidade corta a cidade de São Paulo. Marcante presença. É verdade que ele, na virada do século XIX para o XX, ganhou projeção como local para lazer e recreação, com as pessoas fazendo piquenique, nadando e até competindo em suas águas, mas é inquestionável que a região mais ao norte, o “lado de lá” do Tietê, permaneceu num certo isolamento em relação ao restante da cidade.

A Ponte Grande e o caminho obrigatório para o interior do país

A chamada Ponte Grande – que, na verdade, não foi apenas uma, mas várias – que passava sobre o Tietê desde o século XVII, teve que ser reconstruída muitas vezes devido à sua precariedade. Feitas de madeira, apodreciam com o tempo e as enchentes do rio não eram fáceis.

A última Ponte Grande ficava na altura da atual Ponte das Bandeiras, reinaugurada na gestão de Prestes Maia, em 1942. Era rumo obrigatório para quem do centro-sul da cidade se destinava ao Vale do Paraíba, a Minas Gerais por Taubaté e ao Rio de Janeiro, após passar pela Ponte Pequena, que ficava sobre o rio Tamanduateí.

As chácaras e a vocação rural da margem norte do Tietê

A margem direita do Tietê era famosa por suas chácaras. Um pedaço que mantinha certo aspecto interiorano, se comparado à região mais próxima do Centro Velho.

É sabido que, desde o século XVI, a região dedicou-se ao cultivo de verduras, legumes, frutas e mandioca, que eram vendidos na cidade.

Parque da Cantareira e Horto Florestal: a preservação da natureza paulistana

No final do século XIX, foi construído o Parque da Cantareira para preservação de 5.600 hectares de reserva florestal e, logo mais abaixo, foi inaugurado o Horto Florestal, áreas verdes que confirmavam as características da Zona Norte da cidade, repleta de aves, macacos, esquilos, antas, tatus e capivaras.

Um famoso trenzinho, desativado em 1957, partia da Rua 25 de Março até o Parque. Foram 63 anos de serviços prestados para uma população que se deliciava com os diferentes cenários apresentados por uma cidade que crescia, mas que ainda mantinha um refúgio próximo à natureza.

Santana: o berço do desenvolvimento da Zona Norte

Santana é um dos mais antigos e importantes bairros dessa região norte. A chamada Fazenda de Sant’Anna pertencia originalmente à Companhia de Jesus.

Com a saída dos jesuítas, passou a ser administrada pelo governo da capitania e ganhou acentuada presença militar. Diante do processo de urbanização e da grande dimensão territorial, durante o século XIX foi dividida em sesmarias para usufruto de outros proprietários.

O surgimento dos novos bairros e o nascimento da Vila Guilherme

No ano de 1887, havia 130 pessoas vivendo em Santana. O Parque da Cantareira, seu Tramway e a oferta de terrenos começaram a atrair moradores para a colonização daquele pedaço afastado da cidade.

Assim, novos bairros foram surgindo, adaptando-se às novas regras administrativas municipais. Entre eles, a hoje centenária Vila Guilherme.

A Vila Guilherme é resultado de divisões, vendas, compras e arrendamentos de terras na parte norte da cidade: uma região localizada “do outro lado do grande Tietê”.

Guilherme Praun da Silva e a fundação da Vila Guilherme

Nos desdobramentos da virada do século XIX para o XX, o Barão de Ramalho deixou terras no “além Tietê” para sua filha, dona Joaquina Ramalho Pinto.

Ela negociou a propriedade de 2.760 m² com o empreendedor Guilherme Praun da Silva, um inquieto carioca nascido em Petrópolis.

Nascia, então, em 12 de setembro de 1912, o vilarejo que daria origem ao bairro da Vila Guilherme.

A chegada dos imigrantes portugueses e a formação da comunidade

Pensando em desenvolver a propriedade, Guilherme resolveu convocar mão de obra, escolhendo especialmente a comunidade portuguesa, que vivia um intenso fluxo migratório para o Brasil.

Ele via naquela população determinação, honestidade e experiência com atividades rurais, já que muitos vinham de aldeias do interior europeu.

Estima-se que a imigração portuguesa para o Brasil, entre 1901 e 1930, tenha ultrapassado 754 mil pessoas.

Um empreendedor próximo dos moradores

A memória local registra Guilherme percorrendo a região de charrete, realizando cobranças com uma caderneta em mãos. Quando encontrava moradores em dificuldades financeiras, adiava os pagamentos, conquistando a simpatia e a confiança da comunidade.

O desenvolvimento econômico e a construção da primeira ponte

Chácaras a preços reduzidos foram oferecidas. As atividades agrárias ganharam força, acompanhadas pela instalação de carvoarias, olarias, extração de areia para construção civil e produção de leite, entre outras atividades.

Um dos marcos mais importantes desse processo foi a construção de uma ponte, ligando a região à divisa dos distritos do Belém e do Pari.

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