O LEGADO DO BARÃO DE RAMALHO E A MEMÓRIA DA VILA GUILHERME – PARTE 3/3

Por Nossos Colunistas Últimas NOTÍCIAS Vila Maria

O ADEUS A UMA DAS GRANDES FIGURAS DE SÃO PAULO

Ainda em vida, Dona Joaquina Ramalho Pinto de Castro vendeu ao senhor Guilherme Praun da Silva uma extensa área de aproximadamente 115 alqueires de terra, compreendida entre o Rio Tietê e a Estrada da Bela Vista. Décadas depois, essa região viria oficialmente a ser reconhecida como distrito em 20 de maio de 1992, através da Lei nº 11.220/92.

Na época, a área era conhecida como “Tapeira” e fazia parte de antigas terras que remontavam ao período colonial paulista. A origem dessas propriedades está ligada às antigas sesmarias — terrenos distribuídos pela Coroa Portuguesa para ocupação e cultivo.

Os registros históricos apontam que essas terras passaram pelas mãos de importantes famílias paulistas ao longo dos séculos, chegando no século XIX ao Barão de Ramalho, Joaquim Ignácio Ramalho. Posteriormente, as propriedades foram herdadas por sua filha, Dona Joaquina Ramalho Pinto de Castro, que realizou a venda para Guilherme Praun da Silva pelo valor de 80 contos de réis.

No dia 15 de agosto de 1902, aos 93 anos de idade, faleceu Joaquim Ignácio Ramalho, o Barão de Ramalho, também conhecido como Conselheiro Ramalho. Seu falecimento ocorreu às 13h30, na residência localizada na Rua da Consolação, nº 49, conforme registrado no Livro do 7º Cartório do Registro Civil de São Paulo.

Inicialmente, foi sepultado no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo, localizado na Rua Sergipe. Décadas depois, seus restos mortais foram transferidos para o tradicional Cemitério da Consolação, no Mausoléu Maçônico da Augusta e Benemérita Loja Maçônica Piratininga.

Sua esposa, Dona Maria Paula da Costa Ramalho, e posteriormente sua filha, Dona Joaquina Ramalho Pinto de Castro, também tiveram ligação com o mesmo local.

A HERDEIRA DA FAMÍLIA RAMALHO

Dona Joaquina Ramalho Pinto de Castro, filha do Barão, herdou parte da história e do patrimônio familiar. Viúva do Dr. João Pinto de Castro, residia na Rua da Consolação, nº 51, no período de seu falecimento, ocorrido em 25 de maio de 1934.

Assim como o pai, também foi sepultada inicialmente no Cemitério da Ordem Terceira do Carmo, tendo posteriormente seus restos transferidos para o Cemitério da Consolação.

A trajetória da família Ramalho permanece profundamente ligada à memória histórica da cidade de São Paulo.

A HISTÓRIA QUE AJUDOU A FORMAR A VILA GUILHERME

Muito antes das grandes avenidas, do intenso comércio e dos modernos empreendimentos da Zona Norte, a região da Vila Guilherme fazia parte de uma São Paulo marcada por chácaras, caminhos rurais e áreas de difícil acesso.

A história do Barão de Ramalho ajuda a compreender como a cidade evoluiu ao longo do século XIX e como antigas propriedades deram origem aos bairros que hoje fazem parte da identidade paulistana.

A Vila Guilherme cresceu, modernizou-se e tornou-se um dos bairros mais importantes da Zona Norte, mas continua carregando em suas raízes parte da memória da antiga São Paulo.

Conhecer essa história é também preservar a identidade cultural e histórica de toda a região.

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