Paralisação foi motivada pela concessão das linhas à iniciativa privada; categoria reivindica proteção aos cerca de 4.700 empregados da estatal
A greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), realizada nesta terça-feira (4), foi motivada pela concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade à concessionária Trivia Trens. O movimento reivindica garantias para os trabalhadores da empresa e a preservação dos empregos diante do processo de reestruturação da estatal.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Central do Brasil (STEFZCB), a principal preocupação da categoria é o futuro dos aproximadamente 4.700 funcionários da CPTM.
O que reivindicam os ferroviários
Entre as principais reivindicações apresentadas pelo sindicato estão:
- a reestatização definitiva das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade;
- garantia formal da manutenção dos empregos dos trabalhadores da CPTM;
- apoio do Governo de São Paulo à aprovação do Projeto de Lei nº 730/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa (Alesp).
O projeto, de autoria do deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL), prevê que empregados da CPTM possam ser absorvidos por outros órgãos da administração pública estadual após processos de concessão.
Segundo o sindicato, apenas cerca de 11% dos empregados da CPTM que atuavam nas três linhas passaram a integrar o quadro da Trivia Trens.
Reestruturação da CPTM
Com a concessão das linhas metropolitanas, a CPTM passou a operar apenas a Linha 10-Turquesa.
Diante desse novo cenário, a empresa iniciou um processo de reestruturação administrativa, incluindo um Programa de Demissão Incentivada (PDI) e a realocação de parte dos trabalhadores para outros órgãos estaduais.
A estatal afirma que o processo busca adequar sua estrutura operacional ao novo modelo ferroviário adotado pelo Estado.
O que diz o Governo de São Paulo
Em nota, o Governo do Estado informou que manteve negociações com representantes da categoria e reafirmou compromissos relacionados à preservação dos postos de trabalho.
Entre os pontos apresentados pelo Executivo estão:
- análise da absorção de empregados por outros órgãos estaduais;
- discussão sobre a incorporação da Estrada de Ferro Campos do Jordão pela CPTM;
- inclusão dos trabalhadores no Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe).
Apesar disso, o governo lamentou a manutenção da greve e afirmou que a paralisação prejudica milhares de passageiros que utilizam diariamente o sistema ferroviário.
Sindicato afirma que faltou compromisso formal
Para o sindicato, embora tenha havido diálogo com o governo, não foi apresentada uma garantia formal de manutenção dos empregos, motivo que levou a categoria a manter a paralisação.
A entidade afirma que permanece aberta às negociações e espera que o governo apresente uma proposta concreta para encerrar o movimento.
Concessão das linhas
As linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade foram concedidas em 2025 ao grupo Comporte Participações, controlador da Trivia Trens.
O contrato prevê aproximadamente R$ 14,3 bilhões em investimentos ao longo da concessão, incluindo:
- construção de novas estações;
- modernização da infraestrutura;
- aquisição de equipamentos;
- redução do intervalo entre os trens.
A operação integral pela concessionária começou em julho deste ano. Após uma sequência de falhas operacionais, a Artesp determinou o retorno temporário da CPTM para uma operação assistida por 90 dias, enquanto são realizados ajustes técnicos.
O que você precisa saber
- A greve foi motivada pela concessão das linhas 11, 12 e 13 à iniciativa privada.
- Os ferroviários pedem garantia de emprego para cerca de 4.700 trabalhadores da CPTM.
- O sindicato também defende a reestatização das três linhas.
- O Governo afirma que mantém negociações, mas considera a paralisação prejudicial aos passageiros.
- A concessão prevê investimentos de R$ 14,3 bilhões na modernização das linhas.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Por que os ferroviários entraram em greve?
A categoria protesta contra a concessão das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade e cobra garantias para os empregos dos trabalhadores da CPTM.
Quantos funcionários são afetados?
A CPTM informa que possui aproximadamente 4.700 empregados.
O que prevê o Projeto de Lei 730/2025?
O texto propõe que empregados da CPTM possam ser absorvidos por outros órgãos da administração pública estadual após processos de concessão.
O governo apresentou propostas?
Sim. O Estado afirma que propôs discutir medidas para preservar empregos e analisar projetos de interesse da categoria, mas o sindicato afirma que não houve compromisso formal.
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