MP denuncia dono da Ultrafarma e ex-fiscais da Fazenda de SP por organização criminosa e lavagem de dinheiro

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O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou nesta sexta-feira (15) o empresário Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, além de ex-fiscais da Secretaria da Fazenda de São Paulo (Sefaz-SP), pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro em um esquema bilionário de fraudes envolvendo créditos de ICMS.

A denúncia foi apresentada à Justiça pela força-tarefa da Operação Ícaro, investigação que revelou um suposto esquema de corrupção dentro da Fazenda estadual responsável por movimentar mais de R$ 1 bilhão em créditos tributários fraudulentos.

Entre os denunciados está o ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado pelos promotores como o principal articulador da organização criminosa. Também foi denunciado o ex-fiscal Alberto Toshio Murakami, considerado foragido pela Justiça e investigado por possuir uma mansão avaliada em cerca de R$ 7 milhões nos Estados Unidos.

Segundo o Ministério Público, a organização criminosa teria atuado durante aproximadamente quatro anos dentro da Secretaria da Fazenda de São Paulo, utilizando a estrutura pública para beneficiar grandes empresas do varejo por meio de manipulação de créditos tributários de ICMS.

De acordo com os promotores, o grupo era “estável, hierarquizado e profissionalizado”, com divisão clara de funções entre os integrantes e foco em obtenção de vantagens financeiras ilícitas através de corrupção e lavagem de dinheiro.

O PAPEL DOS DENUNCIADOS

Segundo a investigação:

• Artur Gomes da Silva Neto atuava como líder do esquema, negociando propinas e coordenando as operações fraudulentas;

• Alberto Toshio Murakami seria responsável por analisar e liberar créditos tributários fraudulentos, além de captar empresas interessadas no esquema;

• Sidney Oliveira, dono da Ultrafarma, é acusado de participar das decisões estratégicas e autorizar pagamentos de propina;

• Rogério Barbosa Caraça, diretor fiscal da Ultrafarma, teria operacionalizado os pedidos fraudulentos dentro da empresa.

A denúncia foi protocolada na 1ª Vara de Crimes Tributários, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores da Capital paulista. Até o momento, a Justiça ainda não decidiu se aceita ou não a nova denúncia apresentada pelo MP-SP.

Os investigados já haviam sido denunciados anteriormente pelo crime de corrupção no âmbito da mesma Operação Ícaro e se tornaram réus nesse processo.

A defesa dos acusados ainda não havia se manifestado oficialmente até a última atualização do caso.

A investigação segue sendo considerada uma das maiores operações contra fraudes tributárias já realizadas no estado de São Paulo.