Governo brasileiro pretende priorizar as negociações com os Estados Unidos e ampliar a lista de produtos isentos das novas tarifas antes de recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu adotar uma estratégia de cautela diante da crise comercial com os Estados Unidos. Após o anúncio da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, Brasília agora aguarda a possível imposição de uma nova tarifa adicional de 12,5%, resultado de uma investigação americana sobre a importação de produtos ligados ao uso de trabalho forçado.
A orientação do Palácio do Planalto é evitar medidas que possam ampliar a tensão diplomática e fortalecer o discurso político do presidente norte-americano Donald Trump e do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL).
Governo aposta na negociação
Segundo integrantes do governo, a prioridade é ampliar a lista de produtos brasileiros que possam ficar de fora das tarifas e manter abertas as negociações com os Estados Unidos.
Embora a Lei da Reciprocidade Econômica permita ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais, o governo entende que uma resposta imediata poderia aumentar o conflito comercial.
A estratégia é demonstrar disposição para o diálogo e deixar claro que eventual interrupção das negociações partiria do governo norte-americano.
Lei da Reciprocidade continua disponível
Apesar da preferência pelas negociações, o governo não descartou utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica caso as conversas não avancem.
A legislação autoriza o Brasil a adotar medidas como:
- Elevação de tarifas sobre produtos importados.
- Suspensão de benefícios comerciais.
- Restrições econômicas contra países que imponham barreiras consideradas prejudiciais ao comércio brasileiro.
Segundo integrantes do governo, esse processo exige estudos técnicos e não seria aplicado de forma imediata.
Temas são considerados “inegociáveis”
Assessores do presidente afirmam que parte das exigências apresentadas pelos Estados Unidos envolve temas considerados inviáveis para o Brasil.
Entre os exemplos citados estão:
- Redução ou eliminação de tarifas em setores químicos.
- Mudanças nas tarifas do setor automotivo.
- Alterações na política de importação relacionada ao etanol.
Na avaliação do governo, aceitar essas condições poderia provocar impactos negativos para empresas brasileiras.
Avaliação política
Nos bastidores, integrantes do Planalto acreditam que uma reação mais dura poderia favorecer o discurso político de Donald Trump e de Flávio Bolsonaro durante o período eleitoral.
Por isso, a orientação é manter o foco nas negociações diplomáticas e evitar ações precipitadas.
Segundo auxiliares do presidente, não há expectativa de um acordo definitivo antes das eleições presidenciais brasileiras.
O que você precisa saber
- O Brasil aguarda possível tarifa adicional de 12,5% dos EUA.
- O governo Lula pretende priorizar negociações antes de aplicar medidas de reciprocidade.
- A Lei da Reciprocidade Econômica permanece como alternativa.
- O governo busca ampliar a lista de produtos brasileiros isentos das tarifas.
- Integrantes do Planalto não esperam uma solução definitiva antes das eleições.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Qual é a estratégia do governo brasileiro?
Priorizar as negociações diplomáticas e tentar ampliar as exceções às tarifas impostas pelos Estados Unidos.
O Brasil pode retaliar os EUA?
Sim. A Lei da Reciprocidade Econômica permite adoção de medidas comerciais contra países que imponham barreiras consideradas prejudiciais ao Brasil.
A retaliação será imediata?
Não. O governo informou que prefere esgotar as negociações antes de adotar medidas de reciprocidade.
Quando poderá haver uma definição?
Segundo integrantes do governo, não há expectativa de acordo definitivo antes das eleições presidenciais brasileiras.
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