Por que canetas emagrecedoras não funcionam para todos os pacientes

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Os medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras”, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, revolucionaram o tratamento da obesidade nos últimos anos. Porém, apesar da alta procura e dos resultados positivos em muitos pacientes, especialistas alertam que esses medicamentos não funcionam da mesma maneira para todas as pessoas.

Com a quebra da patente da semaglutida em março deste ano, aumentou a expectativa por versões mais acessíveis desses tratamentos. Ainda assim, estudos mostram que uma parcela dos pacientes não consegue atingir a perda de peso esperada, mesmo utilizando corretamente os medicamentos.

Segundo pesquisas internacionais, entre 9% e 14% dos pacientes podem apresentar baixa resposta ao tratamento. No estudo STEP 1, publicado no The New England Journal of Medicine, cerca de 14% dos participantes tratados com semaglutida não perderam ao menos 5% do peso corporal. Já o estudo SURMOUNT-1, com tirzepatida, apontou índices semelhantes de baixa resposta.

Especialistas afirmam que vários fatores podem influenciar diretamente nos resultados. Entre eles estão resistência à insulina, diabetes tipo 2, genética, peso corporal elevado, metabolismo individual, alimentação, qualidade do sono, uso de outros medicamentos e até fatores emocionais ligados à compulsão alimentar.

O endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Einstein Hospital Israelita, explica que cada organismo reage de maneira diferente ao tratamento.

“A gente pode dizer que 5% a 10% dos pacientes não têm uma boa resposta a esse tipo de tratamento”, afirma o especialista.

Outro ponto importante é o ajuste gradual das doses. Em muitos casos, pacientes apresentam efeitos colaterais durante o aumento da medicação e acabam interrompendo o tratamento antes do tempo adequado. Por isso, médicos reforçam que o acompanhamento profissional é fundamental durante todo o processo.

Pesquisas recentes também apontam que fatores genéticos podem influenciar diretamente tanto na eficácia quanto nos efeitos colaterais desses medicamentos, abrindo espaço para tratamentos mais personalizados no futuro.

Além da eficácia, o alto custo dessas medicações também entrou em debate em vários países. No Brasil, a Conitec chegou a avaliar a incorporação da semaglutida no SUS, mas o pedido foi rejeitado devido ao impacto financeiro e às dúvidas sobre custo-benefício em larga escala.

Especialistas reforçam que as canetas emagrecedoras não devem ser vistas como solução milagrosa. Dieta equilibrada, atividade física, controle emocional e acompanhamento médico continuam sendo fundamentais para resultados duradouros no tratamento da obesidade.