Shein e Shopee – Após o fim da “taxa das blusinhas”, compras internacionais podem ficar até 17% mais baratas

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Fim da “taxa das blusinhas” promete reduzir preços em sites como Shein e Shopee

O governo federal oficializou nesta terça-feira (12) o fim da chamada “taxa das blusinhas”, nome popular dado ao imposto de importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por meio do programa Remessa Conforme. A medida foi publicada no Diário Oficial da União através de uma Medida Provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de uma portaria do Ministério da Fazenda.

Com a decisão, consumidores que compram em plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress devem sentir rapidamente a redução nos preços dos produtos importados. Especialistas afirmam que o impacto será praticamente imediato, principalmente em itens vindos da China, como roupas, acessórios, eletrônicos e utilidades domésticas.

Segundo Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil, o fim da cobrança federal deve tornar os produtos significativamente mais baratos. Ele destaca ainda que a valorização recente do real frente ao dólar também contribui para reduzir os custos das compras internacionais.

COMO FUNCIONAVA A COBRANÇA

Antes da mudança, uma compra de US$ 50 recebia automaticamente a incidência do imposto federal de 20%, elevando o valor para US$ 60. Sobre esse total ainda era aplicado o ICMS estadual, geralmente de 17%, fazendo o valor final chegar a aproximadamente US$ 72,29 — cerca de R$ 354 na cotação atual.

Agora, com o fim do imposto federal, o consumidor continuará pagando apenas o ICMS estadual, que varia entre 17% e 20%, dependendo do estado. Assim, a mesma compra de US$ 50 passa a custar cerca de US$ 60,24, aproximadamente R$ 295.

O cálculo ocorre pelo chamado modelo “por dentro”, em que o ICMS já integra o valor final do produto. Por isso, o imposto não é apenas somado ao preço original, mas calculado sobre ele mesmo.

IMPACTO PARA O CONSUMIDOR E PARA A INDÚSTRIA

A medida foi comemorada por muitos consumidores, que criticavam a “taxa das blusinhas” desde sua criação em 2024 por encarecer produtos considerados acessíveis.

Por outro lado, economistas e representantes do setor produtivo alertam para possíveis impactos negativos na indústria nacional. O economista André Galhardo, da consultoria Análise Econômica, afirma que o imposto funcionava como uma proteção para empresas brasileiras, especialmente do setor têxtil e varejista.

Segundo ele, a taxação ajudava a reduzir a concorrência de produtos asiáticos de baixo custo e contribuía para a manutenção de empregos no Brasil. O especialista lembra ainda que países da União Europeia e os Estados Unidos também passaram recentemente a adotar medidas semelhantes para conter o avanço de importações baratas.

Empresas brasileiras reagiram negativamente à decisão do governo e classificaram o fim da taxa como um “grave retrocesso econômico” e um possível prejuízo para o comércio nacional.

ARRECADAÇÃO BILIONÁRIA

Dados da Receita Federal mostram que, apenas nos quatro primeiros meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão com impostos sobre encomendas internacionais — alta de 25% em relação ao mesmo período de 2025 e recorde histórico para o período.

A “taxa das blusinhas” entrou em vigor em agosto de 2024, após aprovação do Congresso Nacional. Posteriormente, alguns estados elevaram o ICMS de 17% para 20% sobre essas compras internacionais.

Mesmo com a arrecadação crescente, o imposto enfrentava forte rejeição popular, principalmente entre consumidores que utilizavam plataformas estrangeiras para compras de menor valor.

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