Uma denúncia feita por moradores do Jaçanã, na Zona Norte de São Paulo, causou revolta entre defensores da memória cultural do bairro. Parte do acervo histórico do tradicional Museu Memória do Jaçanã foi encontrada jogada na calçada, na madrugada desta quarta-feira (06), em frente ao próprio imóvel onde funciona o museu.
Entre os materiais descartados estavam fotografias antigas da região, documentos históricos, pinturas, discos do cantor Adoniran Barbosa e diversos registros considerados verdadeiras relíquias pelos antigos responsáveis pelo espaço. Muitos itens acabaram sendo recolhidos por moradores antes da chegada do caminhão de lixo, mas parte do material teria sido perdida definitivamente.
O Museu Memória do Jaçanã foi fundado em dezembro de 1983 pelo morador Sylvio Bittencourt, que dedicou grande parte da vida à preservação da história do bairro. Com apoio de outros moradores, foi criada uma associação responsável pela administração do espaço, que em 1993 recebeu oficialmente do Governo do Estado a permissão de uso do imóvel.
Após a morte de Sylvio, em 2016, a gestão passou para integrantes da associação. Porém, nos últimos anos, o local passou a enfrentar abandono, denúncias de furtos e disputas judiciais envolvendo a administração do acervo.
Em 2022, a integrante da associação Carla Camargo Bertelli entrou na Justiça buscando assumir oficialmente a administração do museu. Dias depois, outra conselheira também ingressou com ação semelhante e acabou igualmente nomeada administradora do espaço. Desde então, o museu permanece fechado.
A situação ganhou um novo capítulo em outubro do ano passado, quando o Governo do Estado transferiu a permissão de uso do imóvel para a OSCIP Seleção Paulista. Segundo relatos, integrantes da entidade iniciaram um processo de limpeza e reorganização do espaço.
No entanto, moradores afirmam que ficaram chocados ao encontrar grande parte do acervo exposta na rua. Após o resgate parcial do material, a Polícia Militar foi acionada. Os objetos recolhidos foram encaminhados para a delegacia e passarão por perícia.
O episódio gerou forte indignação entre moradores, pesquisadores e pessoas ligadas à preservação cultural da Zona Norte, principalmente pelo valor histórico do material relacionado ao bairro e ao sambista Adoniran Barbosa, um dos maiores símbolos da cultura paulistana.
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