Aquele idílico recanto, sob o frondoso jatobá, continuou a ser um refúgio para Guilherme e agora sua esposa Maria Elisa com a lourinha infante, como também seu cunhado Heinz.
Ali meditavam avaliando o cenário social da cidade e as possibilidades de trabalho, já que constituíam nova família. “Willy, muitos trabalham hoje nas fábricas, mas acho que isto não nos serve.
Ficar confinado, nós que sempre trabalhamos ao ar livre?” “Das ist es, Heinz! Precisamos procurar melhor oportunidade!”
“Sabe, retrucou Heinz, um daqueles carroceiros que traziam conchas de Araruama para as obras disse que agora está levando para Paraíba do Sul e, de lá trazendo sacas de açúcar e café.
São muitas fazendas pelo Vale do rio Paraíba do Sul até São Paulo.” Elisa exclamou: “tentar uma nova vida tão longe, sem uma garantia, parece uma aventura perigosa e, como será comigo e a Lieschen?”
Respondeu Guilherme: “posso tentar por algum tempo sozinho, vocês ficam com a mãe, assim que conseguir um bom emprego, venho buscar.” Heinz ajudou: “com a capacidade e a força do Willy, conseguirá um bom emprego logo!”
“Você vem comigo Heinz?” Respondeu este: “Não agora! Fico de companhia da irmã”. “Se você tiver sucesso, levo as duas para para lhe encontrar”.
Foi assim que Guilherme, com 22 anos, resolveu viajar para o Vale do Paraíba do Sul, onde o plantio de café se intensificava por incentivo do Governo Imperial, ocupando as encostas das colinas entre as várzeas de cana-de-açúcar. Com poucas economias de seus biscates, pegou uma diligência para vila de Paraíba do Sul com o propósito de procurar emprego nas fazendas.
Pesquisa e autoria: Oscar Paulo Gross Braun
Publicação especial: Gazeta da Vila Guilherme

