CAPÍTULO 5: A Formação do Empresário Guilherme Praun

Eventos na Vila Guilherme e Região Oscar Paulo Gross Braun Por Nossos Colunistas Últimas NOTÍCIAS

Depois de seis anos vivendo no isolamento dessa área rural e prevendo a dificuldade de escola futura para filha, Helena insistiu com o marido para mudarem para a cidade de São Paulo.

O tio, então, pagou parte dos serviços do sobrinho em dinheiro e lhe deu sociedade no empreendimento de venda de café. Alugaram uma casa na Rua Santa Efigênia, onde Helena estabeleceu uma pensão que atendia principalmente aos estudantes da Escola de Direito.

Após três anos, resolveram voltar para Petrópolis, onde Adão estabeleceu uma torrefação de café como parte da sociedade com o tio.  

Helena tornou-se assim uma relatora de um curto período da transição para a nova vida de    Guilherme na fazenda e acabou, mais tarde, por propiciar uma relação de seu filho Octavio Augusto Braun com o tio-avô e seus filhos.

Ao mesmo tempo um primo, Euclides Braun, passou também a residir em São Paulo ensejando viagens de visita de Octavio.

Este, numa das suas viagens, foi convidado pelo tio para uma comemoração familiar da data de abertura de uma estrada que terminava na margem do rio Tietê (hoje Av. Guilherme), onde Guillherme construíra a primeira ponte.

Fotos tiradas do documento cedido pelo Sr. Edgard Martins.(restauradas or IA)

Uma correspondência fragmentária com troca de alguns retratos continuou entre o sobrinho e o tio até pouco antes de seu falecimento. Desta correspondência restaram apenas dois retratos no álbum de família aqui reproduzidos, o restante foi acidentalmente perdido (figs. 4 e 5).

Foto do álbum de família de Octavio Augusto Braun ao lado de foto do arquivo de Edgard Martins.(restauradas com IA).

 Helena aprendeu na fazenda muitos costumes típicos, modinhas e histórias que narrava para os netos.

Contava que o tio pôs ao seu serviço um ex-escravizado, Inhô, sempre solícito em ajudá-la.

Este possuía uma cobra muçurana que protegia a casa contra eventual invasão de cobras venenosas.

Ele ensinou o preparo de comidas típicas, como fazer um bom guisado de carne com quiabo, chamado por ele de quingombó, ou fritar as formigas içá que invadiam a fazenda no verão.

Como outro ajudante ela tinha um indígena com o apelido de Supriô que sempre estava por perto quando ela andava pela fazenda.

Dizia ela que ele tinha esse apelido porque se dizia superior ao escravizado que achava graça nesta empáfia, mas eram amigos.

Supriô tinha um grande conhecimento das ervas medicinais o que lhe fazia um verdadeiro enfermeiro, sempre disposto a tratar ferimentos e febres.

Quando fazia aplicação das ervas ia falando na sua língua nativa uma espécie de reza que Helena decorou, tornando-se também uma rezadeira eventual e sempre usando seu conhecimento das ervas no auxílio ao tratamento de seus netos.

O único senão do Supriô era a proibição de se aproximar do alambique, onde foi um dia foi encontrado desmaiado por ter bebido muita cachaça.

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