
O Circuladô de Fulô é uma das bandas mais importantes do movimento de forró universitário no Brasil. Formada em São Paulo, o grupo consolidou ao longo de mais de duas décadas uma carreira marcada pela fusão de ritmos nordestinos com influências contemporâneas como MPB e reggae.
Das noites simples do circuito universitário de São Paulo, nasceu uma banda que marcou a história de muita gente.
O Circuladô de Fulô nunca foi só forró.
Sempre foi mais.
Conhecidos por sucessos como “O Sol, A Lis e o Beija-Flor”, “Águas Mansas” e “Tudo Azul”.
O Circuladô é a mistura do Brasil…
Aquele abraço depois da dança, o aconchego que começou no meio da multidão.
Enquanto o tempo mudava, o mercado mudava, as pessoas mudavam, eles permaneceram ali, firmes nas suas raízes.
Foram idas e vindas, despedidas e recomeços. O grupo atravessou gerações.
Hoje, mais de duas décadas depois, O Circuladô de Fulô continua na estrada…
com novos rostos, novas histórias, mas com a mesma alma.
E nós viemos até eles para uma conversa que vai contar um pouco desta história.
O nascimento (o acaso que vira destino)
Allex Nascimento – “Se tudo começou em um encontro quase casual no circuito de forró universitário em São Paulo… em que momento vocês perceberam que aquilo não era só uma banda — era um movimento que mudaria a vida de vocês?”
Edu – Primeiramente muito obrigado a todos pelo convite, uma alegria imensa pra nós, partilharmos um pouco da nossa história aqui.
Podemos dizer que tudo foi muito inesperado, logo nos primeiros shows, como aquele movimento do Forró Universitário já estava começando a fervilhar em várias regiões, o público acolheu muito bem nossa banda o que nos trouxe em um curto espaço de tempo, casas lotadas de pessoas que já iam pra ver a banda, já pediam pra tirar fotos, autografar objetos. Foi uma grande surpresa até pra nós.
A primeira chama (o público como combustível)
Allex Nascimento – “O primeiro show de vocês já trouxe uma resposta imediata do público… o que vocês sentiram naquele palco que fez vocês entenderem: ‘não tem mais volta’?”
As pessoas logo no começo já vinham nos pedir pra gravar músicas autorais pois nos relatavam que sentiam algo diferente na banda, na energia dos shows, tanto é que logo quase já não conseguiam mais dançar nos shows tamanho era o público. Começaram a nos trazer muitos presentes, aquelas cartas em rolos também, muitas fotos pra autografar. Aí quando lançamos o primeiro single, consolidou muito forte essa nossa conexão com as pessoas e nos rendeu a participação na gloriosa coletânea “Forró Universitário” que foi lançado pelo selo Paradoxx Music que era distribuído pela gravadora Universal Music.
Logo na sequência, nos rendeu também um contrato para a gravação do primeiro disco com a gravadora Virgin Brasil que era liderada pelo produtor Rick Bonadio.
Depois de todos esses acontecimentos, era impossível conseguir ou querer voltar atrás e até hoje temos esse mesmo sentimento. Ainda há muita chama em nós de levar músicas de qualidade, dançantes e com mensagens que podem tocar e inspirar profundamente as pessoas.
A identidade (misturar o Brasil)
Allex Nascimento – “Vocês nunca foram só forró… sempre existiu reggae, poesia, MPB… essa mistura foi uma escolha artística ou uma necessidade de traduzir quem vocês realmente eram?”
Ótima pergunta!
Isso sempre foi muito característico em nossa personalidade musical.
Antes da banda, viemos de experiências diversas dentro da música e naturalmente isso acabou indo de encontro ao forró que decidimos e gostamos muito de fazer até hoje.
Algo que também é muito importante pra nós e também moldou demais a banda é sempre se deixar nortear pela verdade. Somos uma banda que nasceu numa grande metrópole e trazemos aquilo que vivemos diariamente. As vivências das bandas e trios que vem do sertão são lindas e extremamente ricas, mas soaríamos falsos se quiséssemos cantar exatamente aquilo que só eles viveram. Por isso viva a autenticidade que eles trazem e nos alimentam culturalmente de forma tão rica aqui no Sudeste.
O preço da estrada (as mudanças internas)
Allex Nascimento – “Ao longo dos anos, integrantes saíram, vozes mudaram, ciclos se encerraram… qual foi o momento mais difícil de segurar a essência da banda sem perder a alma?”
Sim, a estrada e a convivência longe de casa em meio a exaustão de longas viagens, trqz também esse desgaste. Infelizmente é uma realidade que embora buscamos evitar ao máximo sempre, por vezes somos vencidos por nós mesmos e caímos em orgulhos, vaidades, e que levam a atitudes impensadas. A convivência humana por vezes já é muito complexa, expostos a tudo isso então, criam situações que chegam a ocasionar essas rupturas. Mas também encaramos como ciclos que começam, tem seu auge e depois se findam para que outros novos comecem. Assim é a nossa vida em tudo, inclusive a própria vida, inevitavelmente, passa por esses estágios.
Mas o bacana é que sempre separamos bem o pessoal do profissional, então somos amigos e torcemos demais pela felicidade e sucesso de todos os ex-integrantes.
O sucesso silencioso
Allex Nascimento – “Vocês se tornaram referência nacional no forró universitário, tocaram o Brasil inteiro… mas fora dos holofotes mainstream. Isso foi uma escolha… ou uma consequência do sistema da música?”
Uma consequência natural acredito, pois tudo na vida passa pelos estágios que citei anteriormente.
E essa dinâmica é muito boa porque de tempos em tempos, todos os estilos musicais tem seu momento de glória e depois se mantém com seu público fiel que nasce e cresce junto com os artistas. Faz parte do processo. E todo isso, torna nossa música brasileira tão rica.
O impacto invisível
Allex Nascimento – “Existe uma frase que diz que o forró forma casais… vocês têm noção de quantas histórias de amor nasceram nos shows de vocês… e como isso transforma a responsabilidade de subir no palco?”
Olha, são muitas, desde aquelas que a gente ajudou a unir com nossas músicas, passando por histórias que tivemos a alegria de conhecer até aquelas em que participamos do casamento. Pra nós é uma honra saber que nossa música impacta de forma tão positiva as vidas das pessoas.
O tempo (resistir em um mercado que muda)
Allex Nascimento – “Mais de duas décadas depois, em um mercado que descarta artistas rapidamente… o que manteve o Circuladô de Fulô vivo quando tantos outros ficaram pelo caminho?”
Como disse anteriormente, a verdade que a gente carrega em nosso trabalho, a vontade de fazer com essa mensagem chegue ao maior número de pessoas possível.
Quando se tem um real propósito, os obstáculos são apenas confirmações de que estamos no caminho certo.
O legado (o que fica quando a música acaba)
Allex Nascimento – “Se um dia o último acorde do Circuladô de Fulô for tocado… o que vocês gostariam que o Brasil lembrasse: as músicas… ou a sensação que vocês deixaram nas pessoas?”
A música por si só já está eternizada nos corações das pessoas, mas acho que o principal é que as mensagens e a nossa alegria nos shows, façam com que as pessoas tomem isso como inspiração de vida e se tornem atos no dia-a-dia.
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