A música brasileira sempre teve o poder de se reinventar, e a Banda Jubah é a prova viva de que o novo pode — e deve — honrar o clássico. Nascida em Taboão da Serra, a banda vem se destacando no cenário nacional , fazendo a conexão entre o balanço do reggae, a sofisticação da MPB e o frescor do pop. A Jubah encontrou um som que parece abraçar o ouvinte logo na primeira nota.
No centro dessa engrenagem está a sua vocalista Jubah (Julia Ferreira). Com um timbre que carrega maturidade e doçura na mesma medida, a vocalista dá vida a composições autorais que já somam milhares de plays no Spotify e YouTube. Mas não se engane pelos números: a verdadeira força da Jubah está na “benção” que recebeu de quem entende do assunto. Ser elogiada por ícones como Roberto Menescal, Marcos Valle, Marcelo Mira, Eduardo Wenceslau e Carlos Lyra não é para qualquer um — é o reconhecimento de que a essência da Bossa e do balanço brasileiro continua pulsando forte nessa nova geração.
Com o lançamento do primeiro álbum em 2024, a Jubah deixa de ser uma promessa para se tornar uma realidade necessária no nosso fone de ouvido.
Fizemos algumas perguntas para a banda, bora embarcar nesta viagem.
Allex Nascimento1.
Dividir palco com bandas como Chimarruts, Alma Djem e Circuladô de Fulô muda a visão da Jubah sobre o próprio som? O que esses encontros ensinaram na prática- no palco e fora dele?”
Jubah
Muito, eu escuto essas bandas desde muito nova, e foi um sonho estar com eles, cantando e ainda mais como Artista da própria história, eu ouvia muito chimarruts na MTv, lembro de ver o clipe e ficar maravilhada com a Tati cantando e dançando na natureza, eu levei isso pra JUBAH, o cenário natural, a sonoridade leve, o reggae foi um estilo que me marcou tanto da adolescência que tenho orgulho de fazer o que eu faço com a força JUBAH, temos um clipe da Música “SUBIR” que mostra exatamente essa minha inspiração, logo vamos lançar no YouTube pra vc aí de casa ver. Sobre estar frente a frente nos palcos com minhas inspirações foi a melhor parte, tive sorte de conhecer eles melhor e de verdade, me senti em casa, eles são incríveis, nossos amigos do Chima são uns queridos, são tão generosos, assim como nossos irmãos do Circuladô eles ganharam meu coração, me senti com pessoas que já conhecia a anos, todos fofos e muito bem humorados, eu tenho muito carinho por eles, fizemos uma música juntos que mostra como foi verdadeira e sincera essa amizade, vamos cantar muito nossa música juntos pra vcs, e o Marcelo do Alma é maravilhoso, compositor genial e muito talentoso, dono de uma história genuína e fico mais que orgulhosa por ter cantado ao lado de todos eles.
Allex Nascimento2.
Em que momento da caminhada vocês sentiram que precisavam parar de tentar caber em algum padrão e começaram, de fato, a soar como Jubah?”
Jubah
De forma natural isso foi acontecendo, eu sou bem firme com a minha arte, como qualquer outro artista que leva sua música pro estúdio e precisa abrir mão da forma como vc imagina que ela seja para a forma que o produtor vai tornar aquilo produto, o Oscar fala, vc está fazendo música para o público não só pra vc, e dentro desse processo é não abrir mão da alma, mas deixar ela ganhar forma pelas mãos do produtor, então eu não sou padrão, é justamente isso que tem valor, aquilo que é igual e que escuta em todo lugar já tem até demais, eu costumo ser bem contra a massa, e isso é raro hoje em dia.
Allex Nascimento3.
Entre todas as músicas de vocês, qual foi aquela que nasceu de um momento em que ninguém estava olhando — talvez uma dor, uma perda ou até um alívio silencioso — e que hoje o público canta sem imaginar o peso real por trás?
Jubah
Sem dúvida nossa música com círculô de Fulô, “Estrela do meu céu” essa música veio de pedaços de mensagens que eu recebi de ex namorados meus, eu escrevi ela de forma natural, pra reforçar o quanto uma mulher é musa na vida de um homem apaixonado, e o quanto nós fazemos diferença na vida deles, e a original quando eu fiz era triste, com uma voz na pegada MPB bem Elis, e quando produzimos ela pra JUBAH com Circuladô, nossa ela ganhou uma cor viva, um forró Reggae muito bom, e hj é nossa música mais ouvida das plataformas,
Allex Nascimento4.
Em O Grande Plano, dá pra sentir uma tensão entre controle e entrega… essa música foi escrita com a sensação de que você estava no comando da vida ou justamente quando percebeu que não estava controlando nada?
Jubah
Eu aprendi tanto com essa música, o processo de criação dela foi um presente, é aquela famosa frase” Deus escreve certo por linhas tortas” em 2025 essa música foi feita pra ser gravada com o Pato Banton, e fizemos tudo pra ser um sucesso com ele, da forma que ele queria, e corremos com a gravação e filmagem de vídeo clipe, pra no final por conta do próprio Pato não chegar a um acordo pra liberar a música, ela acabou não sendo lançada, isso foi uma lição muito grande pra mim e pra todos que trabalharam muito na produção da faixa, eu me levantei esse ano de 2026, e como marco da minha evolução, terminei a música eu mesma e minha equipe de produção e lançamos a música e desejo que ela ganhe o mundo, a música o grande plano foi criada a princípio para o Pato, mas de fato ela foi um presente pra mim, pelas mãos do meu amado amigo Cayo, e se não tivesse acontecido tudo como foi, essa música talvez nunca tivesse existido, e eu teria demorado muito tempo pra ter a liberdade de escrever e cantar letras que tem esse propósito de expansão da consciência, coisa que eu tenho muita, e desejo cada vez mais trazer isso para minhas letras.
Allex Nascimento5.
Qual foi a letra mais difícil de manter no papel — aquela que você quase apagou por ser honesta demais… e o que fez você decidir deixar ela existir?
Jubah
Acredito que ótimos artista não tem medo de serem honestos na sua arte, eu tenho vergonha de falar sobre putaria ou coisas que são mentira deslavada, até porque quando eu escrevo sempre tenho em mente, eu vou gostar de canta essa música pro resto da vida? Quando tiver 80 anos e subir no palco pra canta essa letra, eu ainda vou acreditar nela? Ela ainda vai fazer sentido pra mim e para quem vier depois de mim!? Não que putaria não seja gostoso de ouvir, mas quando minha música tiver tocando na rádio e uma criança de 5 ou 7 anos estiver ouvindo, ela não vai saber que to falando sobre “de todas as mulheres que eu amei, vc foi a mais bela, das pétalas, avermelhadas, cheirosas, macias” e sim que estou falando sobre uma flor, e de fato estou, essa é a beleza da poesia, brincar com a imaginação de quem tá ouvindo, eu não tive nenhuma música difícil de escrever até agora.
Allex Nascimento6.
Por trás da música existe vida, pressão, escolhas. Como você equilibra a rotina da banda com a vida pessoal, principalmente em um momento de crescimento e visibilidade?”
Jubah
Hoje eu trabalho fazendo de tudo um pouco, não sou herdeira nem um gênio pra conseguir fazer dinheiro se multiplicar tão rápido, e muitas vezes fui desapegada dele, e hoje eu entendo que dinheiro é muito necessário, que abundância é garantir um futuro certo e fazer as coisas acontecerem mais rápido, porém viver em certas situações de dificuldade, principalmente na pandemia que foi um marco pra profissionais da minha área entenderem a importância de estarem preparados pra tudo, me fez entender que se você quer ser grande e ter poder na indústria tem que saber administrar seu dinheiro, sua produção, seus shows, meu corpo que é de onde vem meu produto, minha mente, que é de onde sai meu intelecto e julgamento, e meu espírito de onde vem meu equilíbrio. Então hoje eu estou mais solta para as nuâncias da vida de uma artista independente em acensão, eu preciso trabalhar pra pagar minhas contas e garantir renda pra quando tiver que viajar pra fazer um show, uma roupa diferente pra um programa de Tv ou rádio, cabelo, equipamento, etc.. então estou cantando em eventos, barzinho, shows em festivais, tenho uma carreira consagrada na Bossa Nova e Jazz que foi uma grande escola pra mim, estou dando aulas pra alunos com agenda flexível igual a minha, trabalho em produção, como assistente, isso é ótimo porq aprendo muito e estudo bastidores de produções que o artista nem imagina o que acontece por trás, faço freelancer trabalhando com tudo que você pode imaginar, pego ônibus, metrô, tenho um dia a dia de uma brasileira vivendo uma vida paralela, e eu adoro esse caos de correr pra comprar o pão de cada dia e ao mesmo tempo cresce como pessoa, como artista, como mulher e como autoridade da minha Arte e da minha voz.
Allex Nascimento7.
O futuro que você sonhou pra Jubah hoje ainda é o mesmo que fez você começar… ou ele mudou junto com quem você se tornou no caminho?
Jubah
Sempre, desde de criança eu já sonhava em fazer o que eu faço e a JUBAH só iluminou mais meu caminho, eu sou muito grata por chegar até onde cheguei e quem estou me tornando no processo, meu empresário e meu produtor sempre vibram ao decorrer da caminhada, são tantas emoções, que vira série de Netflix a minha história, tantas coisas incríveis que conseguimos conquistar e tantas ainda pra viver e aprender no processo, acredito que quando vivemos na verdade com bom coração, coragem e a cereja do talento tudo é possível. Tudo vem pra mostrar qual é o próximo passo.


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