Uma visita à Feira USP e as Profissões mostra como informação, acolhimento e contato com a universidade podem ajudar jovens a enxergar novos caminhos

Quando os jovens encontram caminhos para o futuro

Por Nossos Colunistas Roberta Oliveira Últimas NOTÍCIAS

Entre os dias 24 e 26 de setembro, a Praça do Relógio, na Cidade Universitária, recebeu a Feira USP e as Profissões. O evento apresentou cursos, áreas de estudo e possibilidades de atuação profissional a jovens que estão diante de uma pergunta tão importante quanto difícil: “O que quero fazer no futuro?”

Durante minha visita, vi estandes e atividades que aproximavam os visitantes da vida universitária. Mais do que ler o nome de um curso em uma lista, eles podiam conversar, observar experiências e fazer perguntas. E muitas respostas vinham de outros jovens: estudantes da USP dispostos a contar o que aprendem, como é estudar em uma universidade pública e quais caminhos os levaram até ali.

Mas a cena que mais me marcou estava antes mesmo da entrada. Havia filas imensas e milhares de jovens chegando de diferentes maneiras: alguns com suas escolas, outros com amigos, outros acompanhados dos pais e até dos avós. Como educadora de adolescentes e jovens e romântica quando se trata do poder da educação , senti uma alegria difícil de descrever. Voltei daquele encontro renovada.

Aquelas filas me fizeram pensar no valor de um projeto de vida. Para um jovem, projetar o futuro não significa escolher uma profissão de uma vez por todas. Significa descobrir interesses, reconhecer habilidades, conhecer realidades diferentes e perceber que é possível mudar de ideia ao longo do caminho. É um processo que precisa de informação, escuta, incentivo e oportunidade.

Uma feira como essa ajuda a transformar uma possibilidade distante em algo que se pode ver de perto. Ao conversar com um universitário, o visitante encontra alguém que já teve dúvidas, fez escolhas e continua aprendendo. Essa troca tem uma força especial: permite que um jovem se imagine ocupando também aquele espaço.

Paulo Freire escreveu: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” A frase nos lembra que abrir as portas da universidade é essencial, mas que também precisamos construir caminhos para que cada vez mais jovens possam chegar, permanecer e realizar seus sonhos.

Saí da feira pensando ainda na importância de todos os saberes. As ciências exatas, humanas e biológicas ajudam a compreender e transformar o mundo, mas nenhuma área existe isolada da sociedade. Precisamos de profissionais capazes de unir conhecimento, sensibilidade e compromisso com as pessoas. Precisamos também reconhecer os saberes que os jovens trazem de suas famílias, comunidades e experiências de vida.

Ao olhar aquela praça cheia, vi mais do que futuros universitários ou profissionais. Vi uma geração procurando oportunidades para fazer a diferença. E vi famílias, escolas e uma universidade participando, cada uma a seu modo, dessa busca. Para quem educa, é impossível não se emocionar. Enquanto houver jovens dispostos a descobrir caminhos e pessoas dispostas acaminhar com eles, haverá razões para acreditar no futuro.

Referências

FREIRE, Paulo. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. São Paulo: Editora UNESP, 2000.

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Feira USP e as Profissões 2026. Programa USP e as Profissões. Disponível em: https://uspprofissoes.prceu.usp.br/feira. Acesso em: 29 set. 2026.

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Feira USP e as Profissões 2026 é aberta com mais de 70 mil inscritos de 21 Estados. Jornal da USP, 2026. Disponível em: https://jornal.usp.br/institucional/feira-usp-e-as-profissoes-2026-e-aberta-com-mais-de-70-mil -inscritos-de-21-estados/. Acesso em: 29 set. 2026.

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