BIOGRAFIA GUILHERME BRAUN – CAPÍTULO 1: O Menino que Sonhava Construir Cidades

Eventos na Vila Guilherme e Região Oscar Paulo Gross Braun Por Nossos Colunistas

Guilherme Braun

  Era dia dezoito de janeiro de 1922. Guilherme, subira nos últimos andaimes da torre do campanário da igrejinha que acabara de construir e que seria aberta no dia vinte, dia de seu aniversário, e inaugurada e consagrada a São Sebastião, seu padroeiro, no dia três de maio de 1923.

De lá ele descortinava quase todas suas terras em pleno preparo para receber todas as melhorias de urbanização que tanto sonhara. Ao longe via a sua senhorial casa sobradada, alguns dos arruamentos já iniciados que pretendia nomear em homenagem a sua família e personalidades importantes, como o Imperador que acolheu sua família na projetada cidade de Petrópolis.

Mirando os locais onde ergueria outras construções, quedou-se pensativo por um momento e, então, voaram longe seus pensamentos.

   O jovem Willy, como chamado familiarmente, nos seus dezessete anos, depois de descer da mata na encosta dos fundos do prazo de terra da família, onde fora pegar lenha seca, sentara-se à sombra de um frondoso jequitibá, num tronco abatido ao lado da cachoeirinha do riacho de águas cristalinas que acabara de sorver no côncavo das mãos.

A pequena queda d’água caía num pocinho onde os meninos se banhavam e o jequitibá era sempre um refúgio nos dias quentes de verão (fg.1).

Dali via a tênue fumaça azulada das casas dos colonos e, a mais próxima, onde a mãe preparava o jantar. Abaixo estendia-se o vale da Vila Teresa com suas ruas em plena construção.

Eram muros domando o rio, taludes de barro vermelho, alicerces de moradias e lá bem longe a serraria dos Faulhaber, a fabricar seges e carroças como também fornecer madeirame para as construções.

Nela seu irmão Jacob aprendia marcenaria cuja arte passaria mais tarde para seu filho Adão. Mais longe, atrás das colinas do poente, o Palácio do Imperador estava em plena construção. Lá trabalhava o amigo Henrique (Heinz) Raeder, da família vizinha no prazo de terra próximo, de número 2.209, irmão de Elisa, sua loira amiga de infância, a quem ia tomando coragem para pedir em namoro.

Quando as famílias começaram a ocupar seus prazos de terra naquele vale, havia apenas uma estrada carroçável que fazia parte do “Caminho Novo” uma via, ainda cavaleira, em construção que encurtava a rota do Rio de Janeiro para Minas Gerais. Essa estrada que passava ao norte da fazenda do Córrego Seco era, então, o único acesso ao Quarteirão Vila Imperial, onde estava em construção o Palácio Imperial de verão e o futuro centro administrativo.

Os colonos tiveram que abrir trilhas para acessar suas terras, procurando atender também aos vizinhos próximos. Uma dessas trilhas que vinha da terra dos Braun ladeava a terra vizinha dos Raeder, propiciando a amizade entre os meninos das duas famílias.

   Guilherme e Elisa, algumas vezes, aproveitavam a desculpa de levar uma encomenda ao Heinz para ver a construção do Palácio e das mansões dos aristocratas e altos funcionários do Governo Imperial, nas ruas próximas.

O caminho ia ladeando o rio que, a jusante, confluía com o outro rio que margeava o sítio de construção do palácio. Ao longo desse caminho, já chegando nas proximidades do Quarteirão Vila Imperial, começava a edificação das mansões de aristocratas da Corte.

À frente do Palácio, do outro lado do rio no sopé de uma colina, já estava pronta a bela residência de José Carlos Mayrink, Oficial-mor da Casa Real, (hoje é a Câmara Municipal de Petrópolis). Duas outras residências estavam em construção mais adiante. Na curva do rio a jusante também estava em construção um palacete e, mais adiante outra grande residência.

Tudo era um grande canteiro de obras. Toda essa efervescente construção de uma cidade, marcava profundamente a índole laboriosa do jovem que já a exercia em serviços na ajuda a seus irmãos participantes das obras, como todos os colonos em suas diversas atividades.

Era tal o entusiasmo com as obras que os meninos também queriam ajudar, crianças, porém, limitavam-se a construir cidadezinhas nos seus quintais com aquele barro vermelho típico do solo de decomposição das rochas do lugar. Eram futuros construtores que construiriam mais tarde suas modestas casas em mutirão. O sonho, no entanto, de Guilherme parecia maior!

“ Willy, komm herr! Du hast das Leben da oben völlig vergessen?”, (“…venha aqui, esqueceu da vida aí em cima?) gritou a mãe lá de baixo na porta da cozinha. A realidade chamou e os sonhos desvaneceram-se por um momento!

Pesquisa e autoria: Oscar Paulo Gross Braun

Publicação especial: Gazeta da Vila Guilherme

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