Édipo

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O poder revela o homem

Sófocles

Édipo, a tragédia  grega escrita por volta de 427 ac,  pelo dramaturgo Sófocles (496-406 a.C.), trata-se de uma das obras  gregas mais emblemáticas. É baseada no mito de Édipo relatando a história de um  homem destinado, pelo oráculo de Delfos, a assassinar o próprio pai e desposar a mãe

Após milênios a obra-prima de Sófocles, uma obra grandiosa que fala sobre ambição, decadência moral e a dor de ver os outros como eles são, desperta em muitos dramaturgos  a vontade de fazer diferentes leituras. No caso do autor inglês da peça em cartaz,  Robert  Icke,  tenta-se modernizar o clássico exibindo na escrita  uma imagem populista e carismática do protagonista com  palavras que evocam as campanhas políticas  modernas .

Em uma noite da eleição atual, o aspirante a “rei”, Édipo , sua esposa, Jocasta e sua família,  reúnem-se  para os resultados finais da campanha política. Édipo planeja tornar sua certidão de nascimento pública após enfrentar críticas sobre seu direito de concorrer às eleições.

A entrada de um andarilho chamado Tirésias (Oswaldo Mendes) revela ao aspirante uma profecia perturbadora sobre seu pai, mãe e os resultados das eleições. Começa assim a aparecer segredos não revelados da família, possibilitando uma reviravolta nos sentimentos dos protagonistas .

Em cena,  um  relógio que marca o tempo contando os minutos e segundos para a revelação.

O desfecho final está cheio de referências à visão e  cegueira de segredos familiares  que,  muitas vezes por ambições pessoais, não são reveladas naqueles que aspiram o poder.

Nesta montagem dois ótimos atores Sergio Mastropasqua ( Édipo)  e Clarisse Abujamra (Jocasta) se jogam íntegros com muita paixão às  personagens, desenhando   uma coreografia cênica que encanta a plateia.

O Círculo de Atores se caracteriza nas suas montagens em oferecer um espetáculo com ótimos atores Oswaldo Mendes, Chris Couto, João Bourbonnais, Marcia Teodoro, Roberto Borenstein, Rodrigo Scarpelli, Thalles Cabral e Thomas Huszar, experientes atores e diretores que  brilham em cena.  Os iniciantes  mantêm o ritmo e o protagonismo das cenas   em cada intervenção .

A peça vale pela atuação de todos estes intérpretes juntos .

O autor Robert Icke,  pensando na modernidade e atualização deste eterno texto, não consegue a força nem a tragicidade  do original .

A produção impecável de Selene Marinho,  com uma equipe que já a acompanha em outras produções,  faz com que o público se sinta em um espetáculo como ele merece.

A direção de Clara Carvalho faz um desenho correto sem ousar.  Não existe tensão real nas personagens em cena.

O cenário de Cris Azner segue  a concepção da proposta da direção.

O figurino  de Marichilene Artisevskis é bem conceituado..

Édipo, em São Paulo , encontra um grupo de navegantes solitários que mostram uma obra bem acabada e grande comprometimento com a arte.

A peça nos leva a refletir sobre a mensagem de Édipo Rei , transmitida pelo Coro em seus versos finais: “Temos medo de não louvar, invejar ou admirar “grandes homens” como Édipo. Embora essas pessoas possam parecer ter uma boa vida, seu fim pode não ser tão perfeito ou glorioso quanto esperavam”.

Pamela Duncan

Alice Eugenia -Revisão

Blog Pensamento www.pameladuncan.art.br

Gazeta da Vila Guilherme

Alice Eugenia revisão

-Auditório do Masp

Avenida Paulista,1578 – 1º Subsolo, São Paulo – São Paulo até o dia 6 de setembro, com apresentações às sextas e sábados, às 20h, e domingos, às 18h.

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